Vera Ferlini: Historiadora da FFLCH/USP Desvenda Raízes do Brasil Colonial e Economia Açucareira, Recebe Título de Professora Emérita

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) celebrou na última sexta-feira, 20 de março, a nomeação de mais um nome ilustre à sua galeria de Professores Eméritos: Vera Lúcia Amaral Ferlini. A honraria, concedida a docentes aposentados que se destacam por sua trajetória acadêmica, produção intelectual e relevante contribuição ao ensino, à pesquisa e à instituição, reconhece o impacto duradouro da historiadora nos estudos sobre o Brasil colonial e a formação social do País.

Um Olhar Inovador sobre a Sociedade Colonial Brasileira

A professora Vera Ferlini é amplamente reconhecida por sua pesquisa que transcende as explicações tradicionais sobre a formação histórica do Brasil. Seus estudos aprofundados sobre a economia açucareira revelaram uma complexa rede de relações sociais, econômicas e políticas, que ia muito além da dicotomia entre senhores e escravizados. Ao investigar o funcionamento dos engenhos, as formas de trabalho, a estrutura fundiária e os mecanismos de poder, sua obra trouxe novas interpretações sobre a colonização portuguesa e ajudou a explicar como se constituíram as bases da sociedade brasileira, conferindo unidade e profundidade a um campo essencial da historiografia. O professor Rodrigo Ricupero, do Departamento de História, destacou a importância de sua obra: “A obra de Vera Ferlini é fundamental para compreender a formação histórica do Brasil ao ir além das explicações tradicionais e revelar a complexidade da sociedade colonial.”

Mais de Seis Décadas de Dedicação e Paixão pela História

Com uma carreira que se estende por mais de seis décadas de magistério, Vera Ferlini expressou sua emoção ao receber a homenagem. “Recebo esta homenagem com muita emoção, após uma longa trajetória dedicada ao ensino e à pesquisa, que começou ainda na infância, quando, por meio de livros, tive meu primeiro contato com a história, e se consolidou ao longo de décadas de atuação na Universidade”, afirmou. A professora, que aos 82 anos segue ativa e engajada em novos projetos, como o “Civilizações do Açúcar”, ressaltou sua paixão contínua por investigar e compreender as múltiplas dimensões da história ibérica e colonial. Sua trajetória inclui não apenas a produção acadêmica de alto nível, mas também a liderança em diversas instâncias universitárias, formando dezenas de mestres e doutores e participando ativamente de iniciativas institucionais.

O Legado de uma Professora Emérita na FFLCH

O reitor da USP, Aluisio Segurado, parabenizou a pesquisadora, destacando seu exemplo de dedicação: “A professora Vera Ferlini representa de forma exemplar os valores da Universidade, ao aliar produção de conhecimento de alto nível à responsabilidade cívica e à contribuição efetiva para a sociedade.” A FFLCH, ao longo de sua história, concedeu o título de Professor Emérito a mais de 60 docentes, cujas contribuições acadêmicas e intelectuais tiveram grande impacto. A lista inclui nomes de referência como o sociólogo Florestan Fernandes, o crítico literário Antonio Candido, o geógrafo Aziz Ab’Saber, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e as historiadoras Emília Viotti da Costa e Anita Novinsky, evidenciando o papel da faculdade na formação de lideranças científicas que influenciaram o debate público e a compreensão da sociedade brasileira.

Vera Ferlini: Uma Jornada Acadêmica de Destaque

Vera Lúcia Amaral Ferlini é uma das principais referências nos estudos sobre a história econômica e social do Brasil, com foco nos períodos colonial e imperial, e na história ibérica. Graduada, mestre e doutora pela USP, ela leciona na instituição desde 1984, tornando-se professora titular do Departamento de História da FFLCH em 2007 e professora sênior em 2015. Além de sua vasta produção acadêmica e formação de novos pesquisadores, Ferlini realizou pós-doutorados em instituições internacionais e exerceu funções relevantes, como a presidência da Comissão de Pós-Graduação da FFLCH e da Cátedra Jaime Cortesão. Entre 2010 e 2018, dirigiu o Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos. Em 2024, foi condecorada com a Comenda da Ordem do Mérito Infante D. Henrique, em reconhecimento à sua contribuição para as relações culturais entre Brasil e Portugal, consolidando uma carreira de profundo impacto e reconhecimento.

Fonte: jornal.usp.br

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