Vacinação de Adultos e Estratégia Casulo: Proteja Bebês Recém-Nascidos da Coqueluche e Freie o Ressurgimento de Doenças no Brasil

Vacinação de Adultos e Estratégia Casulo: Proteja Bebês Recém-Nascidos da Coqueluche e Freie o Ressurgimento de Doenças no Brasil

Especialistas alertam para o alarmante aumento de casos de coqueluche no país e reforçam a urgência da imunização de pais e cuidadores como principal medida para blindar os mais vulneráveis e conter o avanço de outras doenças.

A baixa adesão vacinal entre adultos e pais de recém-nascidos acende um sinal de alerta preocupante na América Latina, especialmente no Brasil. Somente em 2024, o país registrou quase 7,8 mil casos confirmados de coqueluche, segundo dados do Ministério da Saúde. Este é um salto expressivo de mais de 7,5 mil casos em comparação com 2023, ano em que a doença já havia apresentado um surto. Um dos principais fatores para esse crescimento alarmante é a não vacinação de adultos que convivem diretamente com bebês de até seis meses de idade.

A pediatra Jorgete Maria e Silva, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, explica que a coqueluche se propaga com maior facilidade em crianças devido à fragilidade de seu sistema imunológico. “Quanto menor a criança, mais dificuldades ela tem de reagir positivamente à doença, seja pela falta de imunidade prévia, mas principalmente pelas condições anatômicas e fisiológicas do trato respiratório”, afirma a especialista.

A Estratégia do Casulo: Um Escudo Essencial para os Bebês

Para conter a transmissão e proteger os mais vulneráveis, a pediatra Jorgete Maria e Silva enfatiza a necessidade de imunizar adultos e pessoas próximas ao círculo de convivência dos recém-nascidos. “A estratégia de cocoon (casulo) propõe a vacinação de todos que convivem próximos de bebês de até seis meses de idade. Essa proposta surgiu pautada principalmente na preocupação da transmissão da coqueluche”, detalha. Ela ainda ressalta que essa abordagem protetiva deve ser ampliada para além da coqueluche, abrangendo outras vacinas essenciais disponibilizadas pelo SUS, como as contra influenza, sarampo e difteria.

O Desafio da Baixa Adesão Vacinal e o Retorno de Doenças

Entre as diversas dificuldades enfrentadas pelo sistema público de saúde, a baixa cobertura vacinal persiste como um dos maiores obstáculos. “Nos últimos dois anos, houve um recrudescimento da coqueluche e essa alta está relacionada à baixa cobertura vacinal desde a pandemia da covid-19”, menciona a pediatra. Para reverter esse cenário, Jorgete pontua a urgência de intensificar a vacinação. “O cuidado preventivo, como a imunização das pessoas que convivem muito próximas aos bebês, ainda é um dos maiores alicerces para lidar com esse problema de baixa cobertura vacinal que a saúde vem enfrentando. Por exemplo, a coqueluche tem uma incidência sazonal, com surtos a cada três ou cinco anos. Se houvesse uma boa adesão à vacina entre 2021 e 2022, não teríamos um surto no final de 2023”, exemplifica.

Aleitamento Materno e Conscientização: Complementos à Imunização

Além da vacinação, outras medidas preventivas são importantes. O epidemiologista Fernando Rodrigues Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, destaca o aleitamento materno como uma medida eficiente que auxilia na proteção imunológica da criança. “Além das vacinas, outro fator que contribui para a proteção do recém-nascido nesses primeiros seis meses de vida é o aleitamento materno, uma vez que o leite transfere anticorpos diretamente para a criança, especialmente para aquelas doenças contra as quais a mãe foi imunizada”, explica. Contudo, Bellissimo faz um alerta crucial: essa estratégia é importante, mas “não dispensa a imunização dos adultos e crianças”.

O Custo da Proteção: Um Investimento na Saúde Familiar

A enfermeira Karina Bordonal Gomiero Biagiotti, da clínica Itatiaia Vacinas, relata que, em sua rotina diária, muitos pais priorizam a vacinação do bebê em detrimento da própria. “Quando os pais vão no consultório, eu pergunto: ‘Como está a vacina?’, e eles respondem assim: ‘a minha vacina está em dia!’, nunca se preocupando com eles mesmos, apenas com o bebê”, relata. Karina também aponta o custo como um fator para a não imunização de adultos. “As vacinas custam geralmente R$ 200, mas muitos pais acham caro e optam por não se imunizar, não pensando a longo prazo na sua própria saúde e na do bebê.” A enfermeira faz um alerta importante: “A vacina pode custar caro, mas é algo que a pessoa pode tomar outra dose daqui a dez anos. Vale a pena pagar um pouco mais caro e proteger a saúde do seu bebê e também a sua”, finaliza, reforçando que a imunização é um investimento essencial para a saúde de toda a família.

Fonte: jornal.usp.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *