USP e B3 Social Impulsionam Educação: Cátedra Sérgio Henrique Ferreira Capacita Gestores com Análise de Dados, IA e Aplicativo Adef para Decisões Estratégicas

A Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, uma iniciativa do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, em colaboração com a B3 Social, está promovendo uma série de formações estratégicas para profissionais das secretarias de educação em diversas regiões do Brasil. O objetivo central é capacitar esses gestores e técnicos para que possam localizar, organizar, analisar e interpretar dados educacionais de forma autônoma, transformando-os em decisões estratégicas e políticas públicas mais eficazes e alinhadas à realidade local. Ao longo dos meses de março e abril, as formações presenciais foram realizadas em importantes polos como Ribeirão Preto (SP), Maceió (AL) e Campo Grande (MS), marcando um avanço significativo na qualificação de profissionais da educação e no apoio a mais de 28 redes de ensino no uso de evidências.

Metodologia e Aprimoramento Contínuo para a Análise de Dados

Desde sua primeira formação focada em análise de dados em 2023, a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira tem se dedicado ao aprimoramento contínuo do formato e conteúdo de seus encontros, incorporando feedbacks dos participantes e avaliações da equipe. Durante as sessões, os profissionais técnicos das secretarias são meticulosamente orientados a compreender a estrutura das principais fontes públicas de dados educacionais e seus métodos de coleta. Eles aprendem estratégias avançadas de organização, limpeza e tratamento dessas bases de dados utilizando diferentes ferramentas, além de aplicar conceitos estatísticos fundamentais, como desvio padrão e correlação linear. As discussões também englobam o uso da inteligência artificial como uma ferramenta de apoio crucial no processo de análise e comunicação de resultados. A gerente de formação, Larissa Porfirio, enfatiza a relevância dessa abordagem: “Manter ativa essa frente de formações é essencial para fortalecer a cultura de dados nas Secretarias de Educação. Mais do que ensinar ferramentas, buscamos dar maior autonomia para que os profissionais transformem dados em decisões estratégicas e aplicáveis à sua realidade.” A cátedra também desenvolve soluções digitais próprias para apoiar as equipes técnicas.

Aplicativo Digital do Ensino Fundamental (Adef): Ferramenta Essencial para Evidências

Entre as inovações desenvolvidas pela equipe da cátedra está o Aplicativo Digital do Ensino Fundamental (Adef), uma poderosa ferramenta que oferece visualizações interativas de dados complexos. O Adef possui duas versões distintas: uma para análise educacional dos municípios e outra para análise de dados escolares. A versão municipal permite explorar uma base histórica nacional de 2005 a 2023, reunindo uma vasta gama de indicadores educacionais e socioeconômicos, como notas de língua portuguesa e matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), taxas de aprovação, investimento por aluno, população, IDH e PIB per capita. Com ele, é possível rodar um amplo conjunto de análises, incluindo a visualização de desempenho entre municípios com perfil semelhante, a evolução de indicadores e de trajetória, e a observação de desigualdades por regiões ou conjuntos específicos de municípios. Já a versão para análise de dados escolares confere autonomia aos usuários, permitindo que carreguem suas próprias bases de dados escolares, seguindo modelos disponibilizados, e gerem automaticamente visualizações interativas. Integrar recursos como o Adef e a inteligência artificial, e promover trocas entre municípios, contribui para uma rede colaborativa que potencializa decisões baseadas em evidências, impactando diretamente a gestão educacional nos territórios.

O Papel Estratégico e Ético da Inteligência Artificial na Educação

Uma das aulas teóricas da formação é dedicada especificamente à inteligência artificial (IA), abordando sua contextualização histórica desde as três grandes ondas de desenvolvimento até o avanço da IA generativa. São exploradas diversas possibilidades de uso dessas tecnologias no trabalho das equipes técnicas, principalmente através de metodologias de engenharia de prompts. A IA pode ser um valioso apoio para a compreensão de conceitos estatísticos e metodológicos das ferramentas de avaliação, síntese de documentos técnicos, formulação de hipóteses de análise e perguntas investigativas, estruturação de apresentações e comunicação de resultados para diferentes públicos, e até mesmo no auxílio à elaboração de planos de ação a partir das análises. Contudo, a cátedra enfatiza a importância do uso responsável. “Também abordamos questões éticas e legais relacionadas ao uso dessas tecnologias, a importância da validação humana dos conteúdos gerados e do uso responsável das ferramentas em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados”, detalhou Larissa Porfirio. O processo formativo reforça que a inteligência artificial deve ser compreendida como uma ferramenta de apoio ao trabalho técnico, e não como substituta da análise crítica e da interpretação realizada pelos profissionais.

Impacto e Adaptações Regionais: Fortalecendo Redes de Ensino

A partir dos conceitos apresentados, os participantes avançam para a análise exploratória de dados em atividades práticas, diretamente relacionadas aos indicadores de seus próprios territórios. São orientados a identificar padrões, tendências e levantar hipóteses sobre fatores que podem explicar determinados resultados educacionais ou a desigualdade entre escolas. O processo formativo culmina em uma oficina de projetos, onde os técnicos se reúnem em grupos para debates qualificados e a produção de planos de ação concretos. Em cada território, a equipe da cátedra dialoga com parceiros locais para identificar necessidades específicas. Em Ribeirão Preto, representantes de Franca, Colina e Santa Rita do Passa Quatro, além da Fundação Educandário, compartilharam desafios e identificaram inconsistências, gerando mobilização para atualizações de bases. Em Alagoas, equipes da Secretaria Estadual e de 11 municípios, muitos já participantes de edições anteriores, aprofundaram o trabalho com indicadores e métodos de análise, realizando a oficina de projetos presencialmente para sanar dúvidas e orientar na escolha de ferramentas. Em Campo Grande, 13 municípios se reuniram com foco na gestão escolar, com apoio da Fadeb/MS e a presença de secretárias de Educação, gerando diálogos sobre os desafios dos gestores. Essa capacidade de adaptação e o estímulo ao trabalho colaborativo são cruciais para o sucesso da iniciativa.

Fonte: jornal.usp.br

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