USP Debate Reconciliação em Moçambique: Natália Bueno Questiona Processos de Paz e Propõe Novas Dimensões de Justiça e Inclusão Pós-1992

No próximo dia 27 de março, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP será palco de uma importante discussão sobre o processo de reconciliação em Moçambique. A palestra, que terá início às 14 horas, apresentará o livro “Reconciliation Operationalized in Mozambique: Charting Inclusion, Truth, and Justice, 1992–2022”, da pesquisadora Natália Bueno, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal.

A Complexidade da Reconciliação Moçambicana

A obra de Natália Bueno traça um panorama detalhado sobre a construção da paz em Moçambique, desde a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992 até os dias atuais. O processo de reconciliação no país, intrinsecamente ligado a outras iniciativas como o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR), é uma resposta contínua às sucessivas guerras que assolaram a nação, incluindo a longa guerra civil que se estendeu de 1977 a 1992.

A pesquisadora questiona a premissa de que Moçambique esteve, em algum momento, verdadeiramente reconciliado. Segundo Bueno, a literatura existente sobre o tema frequentemente apresenta lacunas, com conceitos ou excessivamente teóricos – dificultando a aplicação empírica – ou demasiadamente minimalistas/maximalistas, o que impede uma análise aprofundada.

Uma Nova Conceituação para a Paz Duradoura

Para preencher essas lacunas, Natália Bueno propõe uma nova conceituação operacionalizável de reconciliação. Esta abordagem inovadora envolve três dimensões fundamentais: inclusão, verdade e justiça. A partir delas, a autora desenvolve dez indicadores que podem ser rastreados e analisados empiricamente, permitindo uma avaliação mais concreta dos avanços e retrocessos no processo de construção da paz.

Essa nova metodologia não se restringe apenas ao caso moçambicano. Conforme explica a pesquisadora, ela pode ser adaptada e aplicada para analisar outros países com históricos de violência, sejam eles resultantes de guerras civis ou de regimes ditatoriais, oferecendo uma ferramenta valiosa para acadêmicos e formuladores de políticas públicas.

Detalhes do Evento na USP

O encontro, que consiste em uma discussão aberta com a autora, será uma oportunidade única para aprofundar o debate sobre a reconciliação e seus desafios. O evento é uma realização conjunta do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri) e do Centro de Estudos em Conflito e Paz (CCP), ambos vinculados à USP.

A palestra acontecerá na sala 2053 – sala do Conselho do Departamento de Ciência Política – do Prédio das Ciências Sociais da FFLCH. A participação é gratuita, não havendo necessidade de inscrição prévia. Os interessados em obter certificado de participação deverão solicitá-lo diretamente à organização do evento, que será conduzido em português.

Fonte: jornal.usp.br

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