Primeiro pagamento aguarda fim do veto húngaro
A União Europeia está pronta para realizar o primeiro pagamento de um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia assim que a Hungria retirar seu veto. A liberação dos fundos, esperada para ocorrer em questão de dias após o levantamento do bloqueio, está atrelada à resolução de uma disputa envolvendo o oleoduto Druzhba. No entanto, funcionários da UE admitem que a questão pode se estender até após as eleições húngaras de 12 de abril, data que o primeiro-ministro Viktor Orbán parece usar como estratégia política.
Disputa sobre oleoduto e eleições como palco
O bloqueio húngaro ao empréstimo tem origem em divergências sobre a infraestrutura do oleoduto Druzhba. Kiev alega que o oleoduto necessita de reparos após um ataque de drones russos, enquanto Budapeste sugere que o fechamento é deliberado para influenciar o resultado das eleições húngaras. Em Bruxelas, a expectativa é que o veto persista, pelo menos, até o dia 12 de abril, uma vez que Orbán tem feito da oposição ao apoio à Ucrânia um tema central em sua campanha eleitoral. As pesquisas de opinião indicam que o atual primeiro-ministro está com uma vantagem considerável sobre seu principal rival, Péter Magyar.
Comissão Europeia agiliza processo interno
A Comissão Europeia, por sua vez, está empenhada em finalizar todos os preparativos para iniciar os pagamentos do pacote de 90 bilhões de euros imediatamente após a resolução do impasse. Na quarta-feira, a Comissão divulgou o primeiro de quatro documentos essenciais para o programa de assistência, com os demais previstos para os próximos dias. O montante total será distribuído entre 2026 e 2027, com 45 bilhões de euros destinados a cada ano. A proposta inclui 16,7 bilhões para apoio financeiro e 28,3 bilhões para apoio militar em 2026, excluindo despesas com drones do critério “Made in Europe” para facilitar a aquisição de componentes de baixo custo globalmente. Os restantes 45 bilhões de euros estão programados para 2027, embora os desembolsos possam se estender além dessa data.
Veto húngaro como violação de compromissos
O principal obstáculo reside em um regulamento separado que altera o orçamento comum da UE, permitindo a contração de empréstimos conjuntos para países fora do bloco. Este ponto específico exige unanimidade entre os Estados-membros, e é aqui que a Hungria exerce seu veto. A ação é amplamente vista como uma violação do acordo alcançado pelos 27 líderes, incluindo Orbán, em uma cúpula decisiva em dezembro. Um porta-voz da Comissão Europeia enfatizou que a não observância deste compromisso constituiria uma violação do princípio da cooperação leal.
Cenários pós-eleitorais e o risco para a Ucrânia
Funcionários da UE analisam diferentes cenários para o período pós-eleitoral húngaro. Caso Péter Magyar vença, espera-se um levantamento rápido do veto. Se Orbán for reeleito, ele poderá ceder ou manter sua posição. A promessa de Orbán é clara: “Sem petróleo, não há dinheiro”. Se o veto for levantado, o primeiro pagamento poderá ser efetuado rapidamente, pois a Comissão dispõe de fundos de reserva. Contudo, a ausência de autorização legal adia a transferência. Se o veto persistir após as eleições, a Ucrânia corre o risco de ficar sem ajuda externa em meados de maio, forçando cortes drásticos em serviços públicos e impactando sua capacidade de produção de armas e drones. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, já alertou que o impasse político atrasou planos essenciais para o próximo inverno, acusando um país europeu de agir em conluio com Moscou.
Fonte: pt.euronews.com
