Shopping deserto em Moscou expõe rachaduras na economia russa: o que os dados e o varejo escondem

Shopping deserto em Moscou expõe rachaduras na economia russa: o que os dados e o varejo escondem

Música pop animada ecoa pelo átrio do shopping Goodzone, um centro comercial luxuoso nos subúrbios de Moscou. No entanto, as lojas com vitrines praticamente vazias e algumas tapadas com tábuas pintam um quadro sombrio do mal-estar econômico da Rússia. Inaugurado em 2014 com pompa, o shopping, que inclui um cinema multiplex com oito salas agora deserto, parece estar em lento declínio, com poucas lojas operando e um número ainda menor de clientes.

Economia russa sob pressão: O que os números dizem?

Após a invasão em larga escala da Ucrânia e o êxodo de empresas ocidentais, a economia russa desafiou as expectativas iniciais com maciços gastos militares e aumento das exportações de petróleo para China e Índia. Contudo, o cenário começa a mostrar sinais de tensão crescente. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou uma contração de 1,8% nos dois primeiros meses de 2026. O presidente Vladimir Putin reconheceu a desaceleração do crescimento econômico, exigindo explicações das autoridades.

Varejo em baixa e aumento de impostos: A perspectiva do cidadão comum

Em uma tarde de quinta-feira no Goodzone, um caixa relatou apenas 13 transações, totalizando cerca de US$ 45, um número drasticamente inferior aos cerca de 300 em tempos melhores. “Parece meio apocalíptico”, descreveu o funcionário, que pediu para não ser identificado. Funcionárias de uma loja de presentes também relataram a escassez de clientes, afirmando que o poder de compra diminuiu significativamente após 2022. “Os preços de tudo estão subindo diariamente em todos os lugares, mas os salários não estão aumentando”, lamentou uma delas. O aumento das exigências fiscais também tem sido um fardo para os empresários locais.

O ciclo de expansão acabou: A visão de especialistas

Ruben Enikolopov, professor pesquisador da Escola de Economia de Barcelona, explica que o ciclo de expansão econômica, impulsionado por gastos militares, chegou ao fim. Com as reservas em baixa, o governo russo recorreu ao aumento de impostos, incluindo o imposto de renda, o imposto sobre sociedades e o IVA, que subiu para 22%. Embora Moscou tenha se beneficiado dos altos preços da energia, os ataques ucranianos à cadeia de suprimentos russa, especialmente às refinarias, limitaram a capacidade de exportação de petróleo. O Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia admitiu que as reservas estão “praticamente esgotadas” e a situação macroeconômica é “muito mais complicada”.

Desigualdade crescente: Ricos se beneficiam, pobres sofrem

Apesar das dificuldades econômicas e do aumento da carga tributária, os bilionários russos viram sua riqueza combinada aumentar 11% no último ano. Alexandra Prokopenko, pesquisadora do Carnegie Russia Eurasia Center, aponta que a guerra aumentou a desigualdade: “Estamos vendo os ricos ficarem mais ricos e os pobres ficarem mais pobres.” Essa disparidade é sentida agudamente por moradores de cidades menores, como Golitsyno, onde muitos vivem com baixa renda e enfrentam um aumento vertiginoso dos preços. Enquanto isso, restrições estatais à internet e telefonia móvel dificultam ainda mais a vida de trabalhadores e empresas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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