Shakers: Quem são os cristãos celibatários de fé radical retratados em novo filme?

A Origem e os Princípios da Fé Shaker

O movimento Shaker, oficialmente conhecido como United Society of Believers in Christ’s Second Appearing (Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo), surgiu na Inglaterra na metade do século XVIII, fundado por Ann Lee. Em busca de liberdade religiosa, os seguidores de Ann Lee emigraram para os Estados Unidos em 1774, estabelecendo comunidades em diversas partes do país.

A crença central dos Shakers é a dualidade de Deus, tanto masculino quanto feminino, e a crença na segunda vinda de Cristo manifestada em Ann Lee. Eles praticavam um celibato rigoroso, acreditando que a abstinência sexual era o caminho para a pureza espiritual e para a união com Deus. O casamento e a procriação eram vistos como fontes de pecado e apego mundano.

Vida Comunitária e Igualdade de Gênero

As comunidades Shaker eram organizadas de forma comunal, onde bens e trabalho eram compartilhados entre todos os membros. A igualdade entre homens e mulheres era um pilar fundamental da sua doutrina, refletida na estrutura de liderança dupla, com um homem e uma mulher à frente de cada congregação. Essa visão progressista para a época contrastava fortemente com as normas sociais vigentes.

Os Shakers também eram conhecidos por seu trabalho artesanal de alta qualidade, incluindo móveis, cestaria e têxteis, que lhes proporcionavam sustento. Suas práticas religiosas eram marcadas por danças extáticas e tremores (daí o nome “Shaker”, derivado do inglês “shake”, que significa tremer), que acreditavam ser manifestações do Espírito Santo.

O Declínio e o Legado dos Shakers

Ao longo do século XIX, o movimento Shaker atingiu seu auge, com milhares de membros espalhados por diversas colônias. No entanto, o rigor do celibato e a dificuldade em atrair novos convertidos levaram a um gradual declínio populacional. A falta de continuidade familiar e a opção de membros se juntarem a outras comunidades ou retornarem à vida secular contribuíram para a diminuição do número de adeptos.

Atualmente, os Shakers enfrentam um futuro incerto. A comunidade, que já foi vibrante e numerosa, hoje conta com um número extremamente reduzido de membros ativos. A história dos Shakers, contudo, permanece como um fascinante estudo de caso sobre fé radical, igualdade de gênero e a busca por uma vida comunal autossuficiente, inspirando novas reflexões e, agora, sendo retratada no cinema.

Fonte: super.abril.com.br

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