SampaAdapta: Plataforma de São Paulo Monitora Calor Urbano e Impulsiona Políticas Climáticas para Proteger Populações Vulneráveis

Diante do aumento das temperaturas e da acentuada desigualdade térmica entre as regiões da cidade, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), desenvolveu a plataforma SampaAdapta. A iniciativa conta com o suporte científico de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU), ambos da USP, integrando ciência, gestão pública e participação social para fortalecer e aprimorar as políticas públicas de enfrentamento aos efeitos do calor extremo.

O projeto visa proteger populações vulneráveis e orientar o planejamento urbano com base nas mudanças climáticas, respondendo a um cenário onde a região metropolitana de São Paulo pode apresentar diferenças de até 8ºC entre suas áreas, o que agrava os riscos à saúde pública, especialmente para idosos. A proposta é mapear e fundamentar a elaboração de políticas de saúde, criar uma rede de espaços de conforto térmico, fomentar áreas verdes e inovar em práticas de construção civil, além de engajar a população e trocar experiências com outras cidades globais.

A Luta Contra o Calor Urbano e a Desigualdade Térmica

O projeto SampaAdapta nasceu da necessidade de combater as disparidades térmicas que afetam diretamente a qualidade de vida e a saúde dos paulistanos. Ao mapear as diferenças de temperatura entre bairros, a plataforma fornece dados cruciais para a criação de políticas de saúde direcionadas, a expansão de áreas verdes e o desenvolvimento de novas abordagens na construção civil que promovam o conforto térmico.

A iniciativa faz parte da Parceria por Cidades Saudáveis, uma rede global de mais de 70 cidades comprometidas em criar centros urbanos mais saudáveis e equitativos. Este programa é apoiado pela Bloomberg Philanthropies, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Vital Strategies, reforçando o compromisso de São Paulo com a saúde e o bem-estar de seus cidadãos.

Monitoramento Científico Detalhado para Soluções Justas

O IAG, com financiamento da Fapesp, atua no desenho técnico-científico do monitoramento, sob a supervisão do professor Humberto Ribeiro da Rocha, do IAG, e da professora Denise Duarte, da FAU. Com sensores instalados em residências, parques, escolas e unidades de saúde, o SampaAdapta mede, monitora e analisa de forma integrada dados sobre calor e saúde. Essas informações orientam ações de adaptação climática, como a requalificação de parques e praças para melhorar o conforto térmico.

Humberto Ribeiro da Rocha, coordenador científico da parceria, explica que o detalhamento das informações permite analisar a cidade de forma mais precisa, gerando soluções mais justas e eficazes. “Os sensores instalados em uma variedade de locais nos ajudam a entender o efeito das transferências de calor manifestando-se em diferentes tipologias urbanas e regiões da cidade e como isso pode ajudar nas ações infraestruturais de melhoria da saúde e do bem-estar”, destaca o professor. Ele ressalta o papel central da universidade em oferecer informações de alto nível para a elaboração de políticas públicas.

Instalação Estratégica dos Sensores

A fase inicial do projeto começou com a instalação de 25 termohigrômetros distribuídos pelas cinco regiões da cidade. Cinco territórios foram selecionados para compor a primeira fase da rede: Perus (Norte), M’Boi Mirim (Sul), Jardim Helena (Leste), Raposo Tavares (Oeste) e Brás (Centro). Em cada local, sensores internos e externos permitem comparar microclimas e analisar como o calor se manifesta em diferentes ambientes.

Os locais de instalação foram definidos com base em critérios científicos e sociais, incluindo o padrão espaço-temporal de temperatura da superfície, tipos de morfologia urbana, vulnerabilidade socioambiental, densidade populacional, presença de áreas verdes e equipamentos públicos, e características construtivas dos bairros. A adesão voluntária de moradores e instituições tem sido fundamental. Yago Santos, da Casa do Hip Hop de Perus, onde um dos equipamentos foi instalado, enfatiza a importância da participação: “Quem vive aqui sabe como o calor tem mudado a rotina. Se esses dados puderem ajudar a construir soluções para toda a cidade, estamos felizes em fazer parte desse cuidado”.

Próximos Passos e Impacto Futuro

Até o final de 2026, a rede de monitoramento será ampliada e novos mapas térmicos serão definidos, cumprindo o compromisso de São Paulo com a Agenda 2030 e contribuindo para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) – especialmente os de Saúde e Bem-Estar (3), Cidades e Comunidades Sustentáveis (11) e Parcerias e Meios de Implementação (17). A cidade também participará de intercâmbios virtuais e presenciais com outras cidades que já implementaram medidas de adaptação ao calor extremo, além de promover um ciclo de debates sobre o tema.

Lígia Pinheiro de Jesus e Bruna Dallaverde de Sousa, coordenadoras do SampaAdapta e egressas da USP que integram a SVMA, afirmam que o projeto “consolida-se como um projeto que visa transformar diretrizes de planejamento em estratégias de adaptação”, alinhado às metas do Plano de Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Livres (PlanPavel) e do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PlanClima SP). O objetivo final é fornecer aos tomadores de decisão as evidências necessárias para proteger os moradores e construir bairros mais resilientes, com a publicação de informes técnicos e a disponibilização de análises dos dados climáticos para a comunidade.

Fonte: jornal.usp.br

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