Design como Motor de Negócios e Cultura
A 64ª edição do Salone del Mobile.Milano, realizada de 21 a 26 de abril, reafirmou seu status como epicentro global do design. Com mais de 1.900 expositores, um terço deles internacionais, e uma área completamente ocupada de 169.000 m², a feira demonstra a relevância crescente do setor na economia mundial. Mais do que uma vitrine de produtos, o Salone se estabeleceu como um sistema econômico, cultural e estratégico, onde o design atua como uma alavanca de competitividade para as empresas.
A feira inovou com plataformas integradas, que vão do Salone Internazionale del Mobile à EuroCucina e ao Workplace 3.0. Essa organização fomenta o diálogo entre produção, tecnologia e novas formas de habitar e trabalhar, consolidando um ecossistema híbrido que abrange desde a produção em massa até a pesquisa e a experimentação. O Salone se consolida, assim, como um hub internacional de negócios, evoluindo de seu papel histórico de apoio às exportações italianas para uma plataforma essencial de networking entre empresas, investidores e designers.
O Novo Paradigma: Indústria e Collectible Design
Uma das novidades mais significativas é o Salone Raritas, um formato dedicado ao collectible design. Com cerca de 25 expositores internacionais, essa iniciativa introduz uma dimensão mais curatorial e experimental, refletindo uma profunda transformação no mercado. Ao lado da produção industrial, o valor de peças únicas, com forte identidade e conteúdo cultural, tem crescido exponencialmente. Esse duplo eixo – indústria e colecionismo – redefine o modelo econômico do design, criando um mercado mais estratificado, capaz de atrair diferentes públicos e estender o ciclo de vida do produto através da narrativa e da colecionabilidade.
Fuorisalone: Milão como Laboratório Urbano do Design
Paralelamente à feira, o Fuorisalone se consolida como um vibrante laboratório urbano. Transformando showrooms, palácios históricos e espaços industriais em locais de experimentação, o evento espalha o design por toda a cidade de Milão. A edição de 2026 contou com a participação de marcas renomadas como Cassina, Knoll, Vitra, Kartell, Alessi, e a presença de instituições como a Triennale di Milano e o Politecnico di Milano. Instalações temáticas e projetos transdisciplinares focaram em relações, imperfeição e processo, marcando a transição do produto para a experiência.
Brasil em Destaque: Indústria Criativa e Soft Power
Neste cenário global, o Brasil emerge como um dos atores mais dinâmicos, especialmente no Fuorisalone. A presença brasileira se manifesta em múltiplos níveis: designers e estúdios independentes trazem uma visão marcada pela sustentabilidade, artesanato e apropriação cultural; galerias e curadores aproveitam o crescimento do collectible design para posicionar o design brasileiro como expressão identitária e cultural; e o país utiliza a Milano Design Week como plataforma de networking internacional, fortalecendo relações com empresas e investidores europeus. O Fuorisalone se torna um espaço estratégico para o Brasil, onde instalações difusas e eventos culturais atuam como instrumentos de soft power, comunicando um design “situado”, ligado ao território, mas com ambição global. A forte presença brasileira não é um evento isolado, mas sim a representação de novas geografias criativas que desafiam e enriquecem o panorama histórico do design europeu, redefinindo equilíbrios, modelos produtivos e imaginários. Milão permanece o centro, mas o design é, inegavelmente, global.
Fonte: jornalitalia.com
