O Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sediará, nesta sexta-feira, 19, o seminário “Tecendo cuidados, cultivando vidas: Mulheres Indígenas, saberes e territórios”. O evento, com entrada gratuita e sem necessidade de inscrição prévia, acontecerá das 9h às 16h na Cidade Universitária, em São Paulo, e promete um mergulho profundo nos conhecimentos e práticas das mulheres indígenas.
O encontro é uma oportunidade ímpar para debater o papel central das mulheres indígenas no cuidado de suas comunidades e no cultivo de roças. Essas práticas milenares ganham uma dimensão ainda mais crucial em um cenário global marcado por crises epidemiológicas e ambientais, destacando a urgência de valorizar e aprender com esses saberes ancestrais.
Protagonismo Indígena e a Urgência do Cuidado
A proposta do seminário parte de uma premissa política e filosófica fundamental: a inseparabilidade entre corpos e territórios. O evento busca problematizar a crescente medicalização dos processos de viver e morrer, que frequentemente reconfigura os regimes de cuidado e impacta diretamente eventos reprodutivos essenciais, como o parto. Nesse contexto, figuras como parteiras, raizeiras, rezadeiras e pajés emergem como pilares centrais na sustentação de saberes que resistem a essas pressões externas, mantendo vivas as tradições e a autonomia dos povos indígenas.
Duas Mesas de Diálogo Profundo
A programação do seminário está estruturada em duas mesas temáticas, reunindo um time diverso de especialistas e lideranças. A primeira mesa, que ocorrerá das 9h ao meio-dia, abordará “Parto, saberes e territórios ancestrais”. Mediada pela pesquisadora Camila de Caux, pós-graduanda na FFLCH, contará com a participação da parteira Catarina Delfina dos Santos, da União das Nações Indígenas, e das antropólogas Aline Regitano (FFLCH) e Maria Paula Prates (Universidade de Oxford).
No período da tarde, das 13h às 16h, a segunda mesa discutirá “Mulheres indígenas, roças e regimes de cuidado”. A mediação ficará a cargo de Aline Regitano, e os debates contarão com a presença da antropóloga e liderança indígena Francy Baniwa, do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, da antropóloga e liderança Sandra Benites, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e da sanitarista Natalia Farias, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
Corpos, Territórios e a Cosmopolítica das Roças
Além de abordar o parto e os cuidados com a saúde, o seminário também retoma a noção de cosmopolítica para repensar as cozinhas e roças indígenas. Longe de serem meros espaços domésticos, esses locais são compreendidos como pontos de encontro e interação complexa entre humanos e não humanos — abrangendo animais, vegetais e minerais. Essa perspectiva amplia a compreensão sobre a interconexão da vida e a riqueza dos sistemas de conhecimento indígenas.
O seminário é uma excelente oportunidade para estudantes, pesquisadores, ativistas e o público em geral se aprofundarem nas ricas contribuições das mulheres indígenas para a sociedade e para a reflexão sobre modelos de cuidado mais sustentáveis e respeitosos. O CEstA está localizado na Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia – Favo 8, na Cidade Universitária, São Paulo-SP.
Fonte: jornal.usp.br
