Reforma Tributária: Bares, Restaurantes e Padarias Repensam Custos e Estratégias na Longa Transição Fiscal até 2033

Reforma Tributária: Bares, Restaurantes e Padarias Repensam Custos e Estratégias na Longa Transição Fiscal até 2033

Setor de alimentação enfrenta incertezas e a necessidade de adaptar a gestão financeira com a chegada dos novos impostos IBS e CBS, segundo especialista da USP.

A implementação do novo modelo tributário no Brasil, que se inicia em janeiro de 2026, já movimenta o setor de alimentação, especialmente bares, restaurantes e padarias que operam com margens frequentemente reduzidas. A substituição de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelos novos Impostos sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) impõe a esses estabelecimentos a necessidade de revisar precificação, contratos com fornecedores e até a composição de seus cardápios. O período de transição, que se estende até 2033, será marcado pela coexistência das regras antigas e novas, adicionando uma camada de complexidade.

Impacto para Pequenos Negócios e Fornecedores

Para o professor Silvio Hiroshi Nakao, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, as incertezas sobre os efeitos da reforma nos custos ainda são significativas. Ele explica que, para o setor de alimentação, que majoritariamente vende para consumidores finais e muitos são optantes do Simples Nacional, a reforma não deve alterar diretamente seus próprios tributos. Contudo, a dinâmica pode mudar em relação aos seus fornecedores. “É possível até que haja uma diminuição desses custos”, pondera Nakao, destacando que, por enquanto, o cenário é imprevisível.

Empresas maiores, como supermercados que operam no lucro presumido ou real, enfrentarão mudanças mais diretas em sua tributação. No entanto, simulações preliminares do professor Nakao indicam que essas empresas não devem ter grandes alterações na carga tributária, embora o resultado final possa depender de fatores como a alíquota definitiva.

Aumento de Vendas Nem Sempre Garante Maior Lucro

A questão de vender mais e lucrar menos é uma preocupação comum. Nakao esclarece que uma eventual redução da carga tributária e a consequente queda de preços poderiam, de fato, impulsionar as vendas. Contudo, ele não antevê grandes impactos negativos no lucro decorrentes da adaptação ao novo sistema, visto que os próprios sistemas internos das empresas já estão sendo ajustados. A atenção principal recai sobre a tributação sobre valor agregado, que pode alterar os custos dos insumos, já que fornecedores podem repassar aumentos ou reduções de carga tributária, influenciando diretamente a formação de preços no setor.

Estratégias Contábeis e Financeiras Essenciais

Para se adaptar, o professor Nakao enfatiza a importância de uma análise detalhada do perfil de clientes de cada empresa. Se um estabelecimento vende predominantemente para consumidores finais e é optante do Simples Nacional, pode ser possível manter a estrutura atual, realizando apenas ajustes de preços conforme as mudanças nos custos dos insumos. No entanto, se a empresa tem uma parte significativa de suas vendas para outras empresas, pode ser estratégico migrar para um modelo de tributação regular de IBS e CBS, mesmo permanecendo no Simples, para que seus clientes possam obter os créditos desses tributos.

A reforma, embora não garanta uma profissionalização da gestão, impõe uma maior atenção ao capital de giro. A nova sistemática de apuração estabelece que os créditos de IBS e CBS só são obtidos com o pagamento efetivo dos tributos, o que exige um planejamento financeiro mais rigoroso.

Desafios da Transição e a Espera pelas Alíquotas Finais

Apesar da expectativa de simplificação no longo prazo, o período de transição de dez anos é visto como complexo e de aprendizado contínuo. Nakao ressalta que os efeitos finais da reforma ainda estão condicionados à definição das alíquotas de IBS e CBS. Caso essas alíquotas sejam elevadas, há um risco considerável de repasse ao consumidor, resultando em aumento dos preços finais de produtos e serviços no setor de alimentação.

Fonte: jornal.usp.br

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