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"title": "Neuroimunoma: Rede de Moléculas Descoberta pela USP Pode Prever Gravidade de Doenças do Fígado, Incluindo Câncer",
"subtitle": "Cientistas da Universidade de São Paulo identificam um conjunto de genes nos sistemas imunológico e nervoso que se altera com a severidade de doenças hepáticas, abrindo caminho para novos diagnósticos e tratamentos.",
"content_html": "<h1>Neuroimunoma: Rede de Moléculas Descoberta pela USP Pode Prever Gravidade de Doenças do Fígado, Incluindo Câncer</h1><h2>Cientistas da Universidade de São Paulo identificam um conjunto de genes nos sistemas imunológico e nervoso que se altera com a severidade de doenças hepáticas, abrindo caminho para novos diagnósticos e tratamentos.</h2><p>Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram a descoberta de uma rede de moléculas, batizada de neuroimunoma, que promete revolucionar o diagnóstico e a compreensão da gravidade de doenças hepáticas, incluindo o câncer de fígado. Este conjunto de genes, presente nos sistemas imunológico e nervoso, surge como um potencial biomarcador e alvo terapêutico para a hepatite e outras condições do fígado.</p><h3>A Descoberta do Neuroimunoma e Sua Relação com a Gravidade</h3><p>O estudo, que analisou 1.823 amostras de bancos de dados internacionais (EUA, Itália, China, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Taiwan), revelou que os genes que compõem o neuroimunoma sofrem alterações diretamente proporcionais à severidade da doença hepática. Quanto mais grave a condição, maior a desregulação desses genes.</p><p>A metodologia empregada pelos cientistas incluiu análises transcriptômicas avançadas, combinando modelos de infecção in vitro, biópsias hepáticas de pacientes com câncer de fígado e hepatite viral, e células mononucleares do sangue periférico (PBMCs) de indivíduos positivos para o vírus da hepatite. Essa abordagem permitiu estudar o transcriptoma, uma representação dinâmica do genoma que reflete a atividade dos genes em resposta a diversos estímulos.</p><p>Adriel Leal Nóbile, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP e primeiro autor do artigo, destacou o ineditismo da pesquisa. “A hepatite é uma doença negligenciada. Procuramos formas de estudar o que não foi explorado ainda dentro desse contexto de hepatites virais, dentre elas a neuroimunologia”, explicou ao Jornal da USP.</p><h3>Conexões Inesperadas: Do Fígado à Mente</h3><p>A pesquisa identificou genes como GCH1, DBH, WDR62, NRG1 e FER1L4 em amostras de fígado e sangue dos pacientes. Curiosamente, essas moléculas também são associadas a condições neuropsiquiátricas, como depressão, e a doenças autoimunes e câncer. Genes como DBH, GCH1 e NRG1, por exemplo, foram marcadores tanto da progressão tumoral hepática quanto de sintomas como fadiga e depressão.</p><p>Estudos anteriores já indicavam que células imunes podem formar estruturas semelhantes a sinapses neuronais, coordenando respostas imunes complexas. Embora não sejam conexões sinápticas reais, essas "sinapses" imunológicas representam zonas de contato especializadas que facilitam a sinalização e a troca molecular entre células imunes.</p><p>“Quando o paciente recebe um diagnóstico, ele tem um impacto bidirecional: o desenvolvimento da doença e o impacto da doença na mente”, pontuou Otavio Cabral Marques, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e orientador do estudo, ressaltando a importância da psicossomática e da interconexão entre mente e corpo.</p><h3>Ameaça Global: A Urgência das Hepatites Virais</h3><p>A hepatite, uma inflamação do fígado, pode ser causada por diversos vírus e agentes não infecciosos, levando a danos graves e até câncer. Existem cinco tipos principais de vírus da hepatite (A, B, C, D e E), sendo os tipos B e C as causas mais comuns de cirrose hepática, câncer de fígado e mortes relacionadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de óbitos anuais.</p><h3>Próximos Passos e o Futuro da Pesquisa</h3><p>Adriel Leal Nóbile adiantou que o próximo passo da pesquisa é estudar essas moléculas em camundongos para “avaliar os efeitos sistêmicos do neuroimunoma no comportamento destes animais quando há alguma lesão no fígado”.</p><p>A pesquisa, publicada no Journal of Medical Virology sob o título “The Neuroimmunome of Hepatitis Patients Associates With Disease Severity”, reforça a ideia de que a mente e o corpo estão interconectados por redes moleculares complexas. Essa descoberta abre novas perspectivas para um diagnóstico mais preciso da gravidade das doenças hepáticas e para o desenvolvimento de terapias mais eficazes, considerando a saúde integral do paciente.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br
