Raquel Rolnik Alerta: Polos Gastronômicos Ameaçam Parques Públicos de São Paulo e Desvirtuam Áreas Verdes para o Consumo
Urbanista e professora critica proposta que visa implantar bares e restaurantes em parques como Augusta e Aclimação, vendo-a como uma ‘lógica de shopping’ que descaracteriza espaços de lazer e natureza.
A recente consulta pública sobre a possível implantação de polos gastronômicos em parques públicos de São Paulo, como os da Augusta, Aclimação e Independência, acendeu um alerta para a urbanista e professora Raquel Rolnik. Para a especialista, esses espaços são destinados ao lazer e ao contato com a natureza, e não a centros de consumo, uma visão que, segundo ela, deturpa a verdadeira função das áreas verdes urbanas.
Parques: Lazer ou Shopping Center?
Rolnik destaca a forte oposição à proposta, evidenciada por abaixo-assinados e manifestações do Fórum Verde e dos conselhos que atuam nos parques. A preocupação se baseia em experiências concretas, como a observada nos Parques Ibirapuera e Villa-Lobos. Nesses locais, projetos de privatização estariam transformando-os em espaços para eventos e, consequentemente, em verdadeiros ‘shopping centers’ a céu aberto. A professora argumenta que essa tendência reflete uma lógica dominante de consumo que parece ser a única forma de estruturar a relação das pessoas com a cidade.
O Risco da Privatização e a Lógica do Mercado
A urbanista expressa a esperança de que a Prefeitura de São Paulo acolha as reivindicações contrárias à proposta, mantendo os parques em sua essência: espaços verdes de fruição pública. Ela traça um paralelo com a recente alteração na Lei Cidade Limpa, que permitiu a instalação de painéis eletrônicos na esquina da Avenida São João com a Ipiranga. Para Rolnik, essa medida representa uma ‘privatização do espaço para venda de produtos’, contrariando os princípios centrais de restrição à publicidade em áreas abertas.
Precedentes Perigosos para o Espaço Urbano
A professora lamenta que se continue a abrir brechas para que a lógica da venda, do consumo e do mercado se torne a única forma de usufruto da cidade. Ela critica a direção da Comissão de Proteção e Preservação da Paisagem Urbana (CPPU) que, segundo sua análise, estaria contribuindo para essa descaracterização dos espaços públicos. A coluna “Cidade para Todos”, com a professora Raquel Rolnik, aborda quinzenalmente esses temas na Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
Fonte: jornal.usp.br
