Visão de Vitória Iraniana Impulsiona Prolongamento das Negociações
O professor de Ciências Militares da Eceme, Sandro Teixeira Moita, explica que a dificuldade nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o conflito no Oriente Médio reside na crença iraniana de já ter saído vitorioso do embate. Segundo Moita, analistas e redes ligadas à Guarda Revolucionária demonstram essa convicção, o que serve de motivação para prolongar ao máximo as conversas com os americanos.
Estratégia de Resistência e Impaciência Americana
Moita estima que, com as sanções impostas pelos EUA, o Irã teria capacidade de suportar as pressões por um período de seis meses a um ano. Essa estratégia de resistência, focada em estender o processo de negociação, tem gerado crescente impaciência por parte dos Estados Unidos, que buscavam um acordo mais rápido.
Paradoxo do Fortalecimento Ideológico
O professor destaca um paradoxo na política americana de Donald Trump em relação ao Irã. Embora o regime tenha sido materialmente enfraquecido e suas capacidades militares devastadas, ideologicamente, ele se fortaleceu. A sobrevivência à esperada confrontação direta com os EUA conferiu ao regime a “munição ideológica” necessária para se manter em um momento crítico.
Nova Tensão: Soberania Iraniana sobre o Estreito de Ormuz
Além do impasse diplomático, Moita aponta para um novo elemento de tensão: a reivindicação iraniana de soberania sobre o solo submarino do Estreito de Ormuz. Essa área é crucial para a infraestrutura de internet do Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein e parte dos Emirados Árabes e Arábia Saudita. Há menções sobre a possibilidade de o Irã cobrar taxas pelo uso desse espaço estratégico.
Escalada Lenta e Risco de Novos Confrontos
Moita compara a situação a um “fogo lento” em processo de escalada, que está acelerando de forma dissimulada. Os recentes enfrentamentos são vistos como prova dessa escalada. O professor não descarta novos confrontos na semana seguinte, dada a impaciência de Trump e a esperança da Guarda Revolucionária de forçar uma “humilhação ainda maior dos Estados Unidos”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
