Presidente de Portugal alerta jovens: ‘Perigo para a democracia não chega como nos filmes, mas via algoritmo’

Seguro Foca nos Jovens e Alerta para Riscos Subreptícios à Democracia

Na sua estreia em comemorações oficiais do 25 de Abril como Presidente da República, António Costa Seguro dirigiu-se especialmente aos mais jovens, reconhecendo que a Revolução dos Cravos pode parecer distante para quem cresceu em democracia. No entanto, frisou a importância de compreender que conquistas como o direito de voto feminino, o acesso a profissões antes restritas e a liberdade de expressão são legados diretos de Abril. Seguro alertou que o perigo para a democracia não se manifesta de forma espetacular, como em filmes, mas sim de maneira subtil, exemplificando com o papel dos algoritmos na disseminação de desinformação e no crescimento de populismos e pensamentos totalitários. O Presidente prometeu também combater as desigualdades persistentes, criticando a precariedade que limita a liberdade de escolha e a disparidade salarial entre homens e mulheres.

Autocrítica Política e Debates sobre o Legado da Revolução

José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República, adotou um tom autocrítico, abordando a desconfiança que muitos portugueses nutrem pelos políticos. Convidou as elites dirigentes a refletir sobre a sua interação com a população e reconheceu que, apesar das críticas, a maioria dos portugueses valoriza o regime democrático. Aguiar-Branco também comentou a tendência de parte do eleitorado em desejar punir a classe política, tornando temas como a remuneração dos deputados um tabu e levando a um “entrincheiramento” da política. O líder da bancada do PSD, Hugo Soares, exaltou a coragem dos capitães de Abril e defendeu que essa mesma coragem é necessária hoje para enfrentar os populismos, propondo que o legado de Abril seja visto como “evolução”.

Diversidade de Perspetivas sobre o 25 de Abril

O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, enalteceu a diáspora portuguesa como um “ativo precioso” e lembrou a coragem de quem acreditou na democracia. André Ventura, do Chega, apresentou um discurso contrastante, propondo “deitar fora” os cravos vermelhos e criticando o que chamou de “corrupção” e a celebração de “quem combateu os portugueses em África”. Mariana Leitão, da Iniciativa Liberal, sugeriu que a transformação democrática começou antes de 1974, lamentando que a “vontade de transformação democrática” tenha caído num “lamaçal”. João Almeida, do CDS-PP, alertou contra um “pensamento oficial”, lembrando a importância do contragolpe de 25 de Novembro. Alfredo Maia, do PCP, relembrou a violência da ditadura e dos grupos de direita no pós-25 de Abril, classificando o atual pacote laboral do governo como “50 anos de contrarrevolução”. Rui Tavares, do Livre, aproveitou a data para recordar o centenário da Revolução de 1926 e criticou o atraso na criação de um Museu do 25 de Abril. Fabien Figueiredo, do Bloco de Esquerda, refutou a ideia de “nostalgia” do Estado Novo, afirmando que “a única paz no tempo do Estado Novo era a dos cemitérios”. Inês Sousa Real, do PAN, celebrou o fim da violência de género estrutural, mas alertou que ainda há muito a fazer. Filipe Sousa, do JPP, apelou à “construção de pontes” contra o “discurso de ódio”.

Fonte: pt.euronews.com

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