Portugal está a salvo de um ataque de mísseis do Irão? Especialista esclarece alcance e intenção

Portugal fora do raio de alcance de mísseis iranianos?

A possibilidade de o Irão desenvolver mísseis com um alcance de 4.000 quilómetros tem gerado preocupação em diversas nações. No entanto, segundo o coronel Carlos Mendes Dias, especialista militar, Portugal estaria, em princípio, fora do alcance direto destes projéteis, a menos que o Irão os desloque para bases mais próximas, como no Iraque, para um eventual ataque a Lisboa.

Uma imagem divulgada pelas Forças de Defesa de Israel sugere que Portugal, juntamente com a Irlanda e a Islândia, seria um dos poucos países europeus não cobertos por esta nova capacidade balística iraniana. O coronel Mendes Dias corrobora essa análise, explicando que, a partir de território iraniano, mísseis com tal alcance poderiam atingir países como Alemanha, França e parte de Espanha, mas não Portugal.

Intenção e capacidade: a equação da ameaça

A ameaça de um ataque não se resume apenas à capacidade tecnológica. O coronel Mendes Dias aponta que a fórmula para avaliar o perigo é “capacidade vezes intenção”. Mesmo com o desenvolvimento de mísseis de longo alcance, a real ameaça à Europa só se concretizaria se o Irão tivesse a intenção clara de os utilizar contra o continente. A avaliação dessa intenção, contudo, é complexa, especialmente considerando a natureza das relações internacionais atuais.

É importante notar que Portugal não se encontra em guerra com o Irão, assim como a maioria dos países da União Europeia. Embora o Irão tenha relações tensas com países do Golfo, ataques diretos a nações europeias como Portugal ou o Reino Unido não seriam, segundo o especialista, uma ação racional, a menos que houvesse uma provocação específica, como a intervenção em operações no Estreito de Ormuz, algo que a política externa portuguesa descarta.

Ameaças indiretas e a relevância de Portugal

Perante este cenário, o coronel Mendes Dias destaca que a “possibilidade mais perigosa” para Portugal e outros países europeus reside em ações como terrorismo e ataques cibernéticos. Embora Portugal possa ser alvo, tal como outros países, outros Estados europeus com maior projeção internacional podem ser considerados mais suscetíveis. A relevância geográfica de Portugal, através da Base das Lajes nos Açores, é um fator que pode atrair atenção, especialmente devido ao trânsito de meios aéreos norte-americanos.

Produção em larga escala: um longo caminho

É crucial distinguir entre o desenvolvimento de um míssil e a sua produção em larga escala. O coronel Mendes Dias ressalta que a existência de um ou dois exemplares em fase de teste não significa que o Irão possua um arsenal destes projéteis. O processo de produção em massa envolve diversas etapas, incluindo a aquisição de componentes e matérias-primas, podendo levar anos. Atualmente, o Irão parece estar a testar estes mísseis, com um dos exemplares tendo falhado o alvo e outro sido intercetado por um contratorpedeiro norte-americano. A capacidade de produção em escala ainda é uma incógnita e um processo que exige tempo e recursos significativos.

Fonte: pt.euronews.com

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