Por que o corpo recupera peso após dietas? Entenda o ‘efeito sanfona’ e como evitá-lo

O ciclo frustrante do ‘efeito sanfona’

Após semanas ou meses de restrição alimentar, a conquista da perda de peso pode ser rapidamente ofuscada pelo retorno dos quilos perdidos. Esse fenômeno, conhecido como ‘efeito sanfona’, é uma experiência comum para muitas pessoas e possui explicações complexas que vão além da falta de ‘foco’ ou disciplina.

A resposta adaptativa do corpo à restrição

O corpo humano interpreta a perda de peso, especialmente a rápida, como uma ameaça à sua sobrevivência. Em resposta, ele ativa mecanismos de economia de energia. Um dos principais é a redução do gasto calórico basal, o que significa que o organismo passa a usar menos energia para manter funções vitais como respiração e regulação da temperatura corporal.

“Além disso, estudos mostram que o maior peso corporal que uma pessoa já alcançou tende a se tornar uma ‘memória metabólica’. O corpo reconhece esse peso máximo como seu ‘set point’ e, com isso, tenta retornar a esse valor ao longo do tempo, principalmente após o encerramento de dietas restritivas ou tratamentos medicamentosos”, explica Tassiane Alvarenga, endocrinologista e metabologista.

Alterações hormonais que aumentam a fome

Outro fator crucial são as mudanças nos hormônios ligados à fome e à saciedade. A grelina, hormônio que estimula o apetite, tende a aumentar, enquanto a leptina, associada à sensação de saciedade, diminui. O resultado é um aumento da fome, mesmo quando a ingestão de alimentos é a mesma que antes parecia suficiente.

“À medida que o organismo emagrece, ocorre aumento proporcional do hormônio da fome, a grelina, e diminuição proporcional dos hormônios da saciedade, especialmente a leptina. Em determinado momento, torna-se muito difícil sustentar voluntariamente a negação da ingestão de alimentos, e o peso é reconduzido às suas origens”, detalha Antônio Carlos Nascimento, endocrinologista.

Dietas excessivamente restritivas tendem a agravar essa resposta, acelerando os mecanismos de defesa do corpo e aumentando a probabilidade de recuperação do peso ao final da dieta.

O papel do comportamento e a busca por sustentabilidade

Além dos fatores biológicos, o comportamento desempenha um papel significativo no reganho de peso. Dietas com regras muito rígidas são difíceis de manter a longo prazo. Ao terminá-las, é comum o retorno aos antigos hábitos alimentares, muitas vezes com um consumo maior de alimentos, seja pela fome acumulada ou por uma sensação de ‘compensação’.

“Na prática clínica e nos estudos, você precisa pensar em oito a doze meses como a fase em que o corpo ainda está ‘testando’ o novo peso”, comenta a endocrinologista Camila Ribeiro.

Embora não exista uma solução única para evitar o reganho de peso, os especialistas apontam que a adoção de estratégias que promovam um processo mais sustentável, com foco em mudanças graduais e duradouras, é o caminho mais eficaz para manter os resultados a longo prazo.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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