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"title": "Pesquisa Pioneira da USP Revoluciona Avaliação Corporal em Gatos e Conquista Prêmio Inédito em Simpósio Internacional de Nutrição Veterinária",
"subtitle": "Estudo da FMVZ-USP propõe método inovador que utiliza a massa óssea como referência para monitoramento nutricional preciso, impactando o tratamento de doenças crônicas e obesidade felina globalmente.",
"content_html": "<h1>Pesquisa Pioneira da USP Revoluciona Avaliação Corporal em Gatos e Conquista Prêmio Inédito em Simpósio Internacional de Nutrição Veterinária</h1><h2>Estudo da FMVZ-USP propõe método inovador que utiliza a massa óssea como referência para monitoramento nutricional preciso, impactando o tratamento de doenças crônicas e obesidade felina globalmente.</h2><p>Um estudo inovador desenvolvido no Centro de Pesquisa em Nutrologia de Cães e Gatos (CepenPet) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP foi o grande vencedor do prestigiado prêmio concedido pela American Academy of Veterinary Nutrition (AAVN). A honraria foi entregue durante o Clinical Nutrition & Research Symposium 2026, realizado em Washington, nos Estados Unidos, no último dia 9 de junho. Esta é a primeira vez que um trabalho realizado na Universidade é reconhecido neste que é considerado um dos mais importantes encontros de nutrição veterinária do mundo.</p><h3>Uma Nova Abordagem para a Saúde Felina</h3><p>O trabalho premiado, intitulado "Razões de Gordura e Músculo-Osso como Medidas Alternativas para Composição Corporal em Gatos", apresenta uma alternativa revolucionária para avaliar se um gato está no peso ideal, obeso ou sofrendo de desnutrição. A ideia surgiu da rotina de atendimentos e investigações acadêmicas de Laís Oyama C. Lima, uma das autoras, durante seu mestrado. Laís percebeu que a variação no tamanho dos felinos distorcia os valores absolutos da composição corporal, enquanto o sobrepeso e a obesidade mascaravam os valores relativos.</p><p>Para superar essa limitação, os pesquisadores da FMVZ propuseram uma solução inédita: utilizar a massa mineral do esqueleto do próprio gato como um “fator de normalização”. Como o tamanho dos ossos de um gato adulto permanece inalterado, mesmo com variações de peso, a estrutura óssea serve como uma linha de base fixa e confiável para medir com precisão as outras variações corporais, como a quantidade de gordura e músculos.</p><h3>Tecnologia de Ponta na Avaliação Corporal</h3><p>Para obter uma análise milimétrica da composição corporal interna dos felinos, a equipe utilizou um equipamento de Absorciometria por Dupla Emissão de Raios X (Dexa), o mesmo aparelho de densitometria óssea empregado em humanos. Esta tecnologia permite distinguir com exatidão a massa gorda (gordura), a massa magra (músculos) e a massa mineral óssea (esqueleto).</p><p>O estudo avaliou 20 gatos adultos, divididos em dois grupos: dez animais saudáveis (grupo controle) e dez diagnosticados com Doença Renal Crônica (DRC). Os pacientes renais foram escolhidos estrategicamente, pois a DRC provoca perda muscular progressiva e acentuada, conhecida como caquexia, tornando-se um modelo ideal para verificar a capacidade do novo método em detectar precocemente essas alterações corporais. Em vez de se basear apenas no peso corporal ou em medidas isoladas, os pesquisadores analisaram razões matemáticas entre os diferentes componentes da composição corporal.</p><h3>Impacto Clínico e Diagnóstico Preciso</h3><p>Para o professor Thiago Vendramini, coordenador do CepenPet e orientador da pesquisa, o estudo resultou em uma ferramenta de alta aplicabilidade clínica e diagnóstica. “Ao estabelecer essas razões fixas baseadas no esqueleto de cada gato, os médicos-veterinários conseguem obter um indicador muito mais refinado da evolução metabólica do paciente. Isso é crucial para o tratamento de doenças crônicas ou acompanhamento de dietas de emagrecimento”, esclareceu.</p><p>Com essa metodologia, se um gato com doença renal está perdendo peso, a razão músculo-osso aponta imediatamente se a perda é de musculatura vital ou apenas de gordura, permitindo ajustar a dieta antes que a caquexia se agrave. Da mesma forma, em gatos obesos em tratamento, os médicos conseguem monitorar se a razão gordura-osso está caindo de forma saudável, garantindo que o animal não perca massa magra junto no processo. Essas razões se mostraram indicadores sensíveis da composição corporal, ampliando significativamente a precisão do monitoramento nutricional na medicina felina.</p><h3>Reconhecimento Internacional e Próximos Passos</h3><p>O professor Vendramini enfatiza o esforço coletivo da equipe e a consolidação do uso de novas tecnologias na FMVZ. “Este é um dos primeiros trabalhos executados com a utilização do equipamento Dexa e já está gerando resultados e frutos muito importantes. Vencemos entre trabalhos brasileiros e estrangeiros excelentes, o que representa muito para a pesquisa brasileira”, destacou.</p><p>Além do prêmio da AAVN, o trabalho é um dos 12 escolhidos para representar o CepenPet no 30º Congresso Anual da Sociedade Europeia de Nutrição Veterinária e Comparativa (ESVCN), um fórum científico de renome mundial que acontecerá em setembro, na Itália. A equipe planeja expandir a pesquisa, repetindo a metodologia com um número maior de animais e em condições mais variadas para explorar o comportamento das razões em diferentes cenários.</p><p>Os autores da pesquisa são Gabriela Pinheiro Moreno, Natália Manuela de Oliveira, Natacha Teixeira, Maria Carolina Pappalardo, Andressa Amaral e Pedro Henrique Marchi, orientados pelos professores Thiago Vendramini e Júlio Cesar de Balieiro, e apresentado no evento por Laís Oyama C. Lima.</p>"}
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Fonte: jornal.usp.br
