Uma inovadora parceria entre a Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Desembargador Amorim Lima, localizada no bairro do Butantã, em São Paulo, e o Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IME) da USP tem transformado o ensino de matemática e impulsionado o desempenho dos estudantes em competições nacionais. Na última edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a escola obteve um resultado impressionante: 12 medalhas na etapa estadual e 8 na nacional, além de duas premiações para professoras, um reconhecimento na categoria Escolas Públicas e 12 menções honrosas.
O sucesso é atribuído à colaboração com o IME-USP, especialmente por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). Essa iniciativa leva estudantes de licenciatura da universidade para vivenciar o cotidiano escolar e contribuir ativamente no planejamento das atividades pedagógicas. Além da presença universitária na EMEF, os próprios alunos da escola tiveram a oportunidade de visitar o instituto da USP em outubro de 2025, em uma saída pedagógica batizada de “Virada da Matemática Amorim IME-USP”. A atividade proporcionou um aprofundamento lúdico e interativo, com jogos e desafios que expandiram o raciocínio lógico dos estudantes.
Nova Abordagem Pedagógica
A atuação dos universitários está alinhada ao Currículo da Cidade, documento que norteia as práticas educacionais paulistanas. Diferente do modelo tradicional de recepção passiva, a metodologia adotada na EMEF Amorim Lima posiciona o estudante como protagonista na construção do conhecimento. Essa abordagem valoriza o raciocínio, a investigação e a edificação gradual do saber em matemática.
“Errar faz parte da aprendizagem. A ideia de que só quem tem talento aprende matemática é substituída pela compreensão de que existem diferentes caminhos para aprender”, explica Lilian Ianishi, professora da escola premiada pela organização da olimpíada, ao lado da colega Amanda Braga. Segundo a professora, o foco na resolução de problemas e na investigação diminui a frustração e valoriza as estratégias individuais de cada aluno.
Fortalecimento da Educação e Formação
Para a diretora da escola, Ana Elisa Pereira Flauqer de Siqueira, a parceria com a USP oferece novos olhares pedagógicos, fortalece a conexão com o ponto de vista dos estudantes e qualifica o planejamento das práticas em sala de aula, ampliando as estratégias de ensino-aprendizagem. Já o professor Roberto Marcondes, do IME, destaca o papel fundamental da parceria para a formação de futuros professores e o fortalecimento do ensino de matemática nas escolas.
“Ao participarem do cotidiano da sala de aula e desenvolverem atividades com os estudantes, nossos licenciandos ajudam a criar um ambiente mais estimulante para a aprendizagem e para o desenvolvimento do raciocínio matemático”, afirma Marcondes. A ação ainda complementa o trabalho de estagiários que já atuam na rede por meio de outros programas, como o Parceiros da Aprendizagem e o Aprender sem Limite.
Sucesso por Meio da Integração
Os resultados expressivos na OBMEP são atribuídos à combinação do Projeto Político Pedagógico da escola, das diretrizes do Currículo da Cidade e das práticas inovadoras em sala de aula. Essa sinergia entre autonomia estudantil, mediação qualificada dos docentes e uma cultura de investigação tem gerado uma aprendizagem consistente. O trabalho pedagógico integra diversas áreas do conhecimento, com professores articulando práticas que conectam conteúdos a situações do cotidiano por meio de projetos interdisciplinares. A proposta compreende a matemática como parte de um saber integrado, utilizando-a para interpretar dados, comparar informações e analisar problemas reais, em diálogo com temas como sustentabilidade, educação digital e direitos humanos.
Fonte: jornal.usp.br
