Ondas de Calor Fatais Já Atingem o Mundo: Estudo Revela Riscos Crescentes e Especialista da USP Alerta Para Urgência Climática

Ondas de Calor Fatais Já Atingem o Mundo: Estudo Revela Riscos Crescentes e Especialista da USP Alerta Para Urgência Climática

Pesquisa aponta condições de calor extremo que podem ser mortais, enquanto professor Tercio Ambrizzi destaca a necessidade de ações coordenadas e arborização urbana para mitigar impactos.

Condições de calor que podem ser fatais para seres humanos já são uma realidade global, conforme um estudo recente publicado no periódico Nature Communications. A pesquisa analisou seis eventos extremos de calor na Ásia, Europa e Austrália, que, juntos, resultaram em quase 80 mil mortes. Em todos esses casos, períodos de calor e umidade combinados atingiram níveis mortais para pessoas acima de 65 anos expostas diretamente ao sol por seis horas.

A Intensificação dos Eventos Extremos

Eventos de calor extremo têm se tornado notavelmente mais comuns, especialmente nas últimas duas décadas. Tercio Ambrizzi, especialista em mudanças climáticas e professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, explica a tendência: “Nós temos tido ondas de calor mais intensas, mais frequentes e mais duradouras”. Segundo o pesquisador, esses fenômenos afetam predominantemente regiões urbanas, onde a intensidade elevada aumenta significativamente os riscos à saúde humana.

O Calor Como Questão Social e de Saúde

Para se tornar letal, o calor frequentemente se associa a questões sociais e de saúde preexistentes. Áreas urbanas com alta densidade demográfica e pouca arborização, geralmente de baixa renda, registram temperaturas mais altas do que bairros bem arborizados e de alto padrão. O calor também impacta desproporcionalmente idosos, crianças e indivíduos com doenças crônicas. No Brasil, as mortes por ondas de calor são subnotificadas, pois a causa direta do óbito muitas vezes não é registrada, mesmo quando o paciente apresenta sintomas relacionados ao calor extremo.

Estratégias de Mitigação e Alerta

Com ondas de calor mais intensas e frequentes se tornando o “novo normal”, é crucial desenvolver estratégias de adaptação. Ambrizzi aponta a necessidade de uma ação coordenada do poder público, incluindo sistemas de alerta eficientes, planos de ação claros e a criação de refúgios térmicos. A urbanização, com o uso massivo de concreto e a escassez de árvores, transforma cidades em “ilhas de calor”. Para combater esse fenômeno, a solução é clara: “Muito mais áreas verdes”, enfatiza o professor.

Reconheça os Sinais de Alerta

O corpo humano emite sinais quando está sobrecarregado pelo calor. Sintomas como sede intensa, fraqueza, fadiga, tontura e dores de cabeça são indicativos de problemas. No entanto, se os sintomas evoluírem para quadros mais graves, como confusão mental, pele excessivamente seca e vômitos, é fundamental procurar atendimento médico hospitalar imediatamente para evitar complicações fatais.

Fonte: jornal.usp.br

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