Novo guia reforça vigilância da febre amarela com identificação de primatas sentinelas

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"title": "USP Lança Guia Inovador para Aprimorar Vigilância da Febre Amarela em São Paulo com Identificação de Primatas Sentinelas",
"subtitle": "Material gratuito da FMVZ-USP detalha anatomia de carcaças para detecção precoce do vírus e proteção humana, crucial diante de novos surtos esperados.",
"content_html": "<h1>USP Lança Guia Inovador para Aprimorar Vigilância da Febre Amarela em São Paulo com Identificação de Primatas Sentinelas</h1><h2>Material gratuito da FMVZ-USP detalha anatomia de carcaças para detecção precoce do vírus e proteção humana, crucial diante de novos surtos esperados.</h2><p>Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP desenvolveram um guia técnico inovador para fortalecer a vigilância epidemiológica e a detecção precoce da circulação do vírus da febre amarela no Estado de São Paulo. O material, intitulado Guia de Identificação de Carcaças para Vigilância da Febre Amarela no Estado de São Paulo, está disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP e visa auxiliar profissionais de saúde e vigilância sanitária no campo.</p><p>A febre amarela, endêmica na região amazônica, tem se propagado em ondas epizoóticas pelo Sudeste brasileiro em intervalos de aproximadamente cinco anos. Como os mosquitos silvestres infectam populações de primatas neotropicais (PNT), o monitoramento da saúde desses animais – conhecidos como sentinelas – é a forma mais eficaz de prever surtos em humanos. A identificação rápida e precisa de carcaças de primatas é, portanto, um pilar fundamental para a agilidade das ações de saúde pública.</p><h3>A Importância da Identificação Precisa em Campo</h3><p>Com autoria do professor Adriano Pinter, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal (VPS), e da graduanda Ana Luiza Peraro Mattos, a publicação aborda um desafio crítico: a identificação precisa de carcaças encontradas em campo, muitas vezes em estado avançado de decomposição. Segundo os autores, discernir corretamente se uma ossada pertence a um primata ou a outro mamífero é fundamental para a qualidade da informação coletada pelo sistema de saúde e para a rápida tomada de decisões.</p><h3>Detalhes Cruciais para a Vigilância</h3><p>O guia se destaca por sua abordagem didática e objetiva, focando em características essenciais para a identificação. Entre os principais pontos abordados estão:</p><ul><li><strong>Detalhamento Anatômico:</strong> Apresenta as diferenças cranianas entre os gêneros de primatas encontrados em São Paulo (como <em>Alouatta</em>, <em>Sapajus</em> e <em>Callithrix</em>), focando em características como fórmulas dentárias e angulações ósseas.</li><li><strong>Diagnóstico Diferencial:</strong> Oferece um comparativo visual com outros mamíferos que podem ser confundidos com primatas, incluindo felídeos, canídeos, mustelídeos e gambás.</li><li><strong>Mapas de Distribuição:</strong> Inclui mapas territoriais atualizados que indicam a ocorrência de cada espécie no estado, auxiliando na precisão da investigação local.</li><li><strong>Cronotanatognose:</strong> Orientações sobre as fases de decomposição (autólise, putrefação, coliquativa, fermentação e esqueletização), informando o tempo estimado de morte e a viabilidade da coleta de amostras para análise viral.</li></ul><p>Ana Luiza Peraro Mattos ressalta que a publicação utilizou fotos de peças do Museu de Anatomia Veterinária (MAV) da USP. “Durante a elaboração do nosso guia, viemos ao museu tirar fotos dos crânios de diferentes primatas encontrados no Estado de São Paulo e as espécies encontradas nas florestas”, explica, destacando que os ossos são mais resistentes e podem ser encontrados mais facilmente durante a vigilância, permitindo a diferenciação entre as espécies e gêneros.</p><h3>Agilidade na Detecção para Proteger Vidas Humanas</h3><p>O professor Adriano Pinter enfatiza que a transmissão do vírus é feita por mosquitos e que, de tempos em tempos, a doença se espalha da Amazônia para outras regiões. Ele alerta para um surto esperado em 2024 e 2025 e a importância vital de identificar se o vírus está afetando os macacos. “Se o vírus atingir esses macacos, normalmente eles ficam doentes e acabam morrendo e a vigilância de saúde precisa detectá-los”, afirma. Ele explica que, após a morte, a degradação do corpo é muito rápida, restando apenas ossos em 6 a 8 dias. Por isso, a criação do guia com imagens e características dos ossos é crucial para auxiliar na identificação: se é de um macaco e de qual gênero e espécie. Para o professor, a agilidade nessa identificação é o que permite ações rápidas de bloqueio vacinal em humanos, evitando a propagação da doença para a população.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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