Morre Angelita Habr-Gama aos 92 anos: Legado da Primeira Mulher Residente de Cirurgia da USP e Ícone Mundial da Coloproctologia

Faleceu no último sábado, 30 de maio, aos 92 anos, a Professora Emérita da Faculdade de Medicina (FM) da USP, Angelita Habr-Gama. Uma das maiores referências mundiais em coloproctologia e pioneira da cirurgia brasileira, Angelita Habr-Gama foi a primeira mulher residente de cirurgia do Hospital das Clínicas da USP, marcando sua trajetória por inovações e pela ruptura de paradigmas em um campo predominantemente masculino.

Uma Trajetória de Pioneirismo e Ruptura de Barreiras

Angelita Habr-Gama iniciou sua jornada na medicina na década de 1950, um período em que as mulheres enfrentavam significativas barreiras para ingressar em universidades e, especialmente, em especialidades operatórias. Graduada pela USP, onde também obteve seu doutorado e o título de livre-docente, ela consolidou-se como a primeira mulher cirurgiã da história da Universidade e a primeira a chefiar uma disciplina cirúrgica na instituição.

Seu pioneirismo transcendeu fronteiras nacionais. Angelita foi a primeira brasileira aceita como membro honorário da centenária American Surgical Association e, em 2006, tornou-se a primeira mulher e a primeira médica latino-americana a integrar o seleto grupo de membros honorários da European Surgical Association. Tais feitos sublinham sua obstinação e o “prazer em operar”, que a impulsionaram a desbravar caminhos.

Legado na Coloproctologia e Saúde Pública

Durante sua gestão universitária e formação médica, a professora deixou um legado inestimável. Ela foi a criadora da Disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e atuou como chefe do Departamento de Gastroenterologia. Sua influência se estendeu à saúde pública nacional e internacional, onde fundou e presidiu a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci) e dirigiu o Instituto Angelita e Joaquim Gama.

Em reconhecimento à sua liderança e expertise, Angelita foi indicada pela Organização Mundial de Gastroenterologia (OMGE) para coordenar o Programa de Prevenção do Câncer Colorretal no Brasil. Além disso, presidiu entidades de grande relevância, como o Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e a International Society of University Colon and Rectal Surgeons, consolidando sua posição como uma figura central na luta contra o câncer de intestino.

Reconhecimento Global e a Defesa da Formação Médica

A contribuição de Angelita Habr-Gama foi amplamente documentada e celebrada em vida. Em 2021, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP a homenageou na série “A USP e as Mulheres”, onde ela descreveu a “arte de operar” como uma profissão “fantástica”. Em 2025, o Jornal da USP destacou que a professora permanecia entre os pesquisadores mais influentes do mundo na área de cirurgia, conforme dados de 2024.

Em depoimentos, a professora frequentemente defendia a residência como um “processo indispensável na formação médica”, ressaltando a importância de uma educação prática e rigorosa. Seu impacto na formação de gerações de especialistas é inegável, perpetuando seu conhecimento e paixão pela cirurgia.

O velório da Professora Angelita Habr-Gama acontece neste domingo, 31 de maio, no teatro da Faculdade de Medicina da USP, das 15h às 19h.

Fonte: jornal.usp.br

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