Moradores de Washington D.C. se unem em mutirão para combater mosquitos e espalhar método contra picadas e doenças

A Frustração que Virou Ação Comunitária

Cansada de ser um alvo fácil para os mosquitos no verão, a jardineira Michelle Mingrone, moradora de Capitol Hill, em Washington, D.C., decidiu tomar uma atitude. A picada constante, que podia levar a infecções graves como malária ou Zika, a impedia de aproveitar o ar livre com seus filhos. Após contatar o governo local e perceber a necessidade de uma ação mais direta, Mingrone lançou um apelo em uma lista de discussão de bairro. Sua mensagem, que começava com “Olá, vizinhos. A temporada de mosquitos está quase chegando e estou determinada a fazer algo a respeito este ano”, obteve uma resposta avassaladora: 600 adesões em apenas quatro dias, dando origem ao Comitê da População de Mosquitos Minúsculos.

Mosquitos em Ascensão: Um Desafio Global e Local

O problema dos mosquitos não se restringe a Washington, D.C. As mudanças climáticas têm contribuído para o aumento de suas populações em todo o mundo, expandindo seu alcance para além das regiões tropicais e subtropicais. Países europeus, como a Alemanha, já registram um aumento significativo de mosquitos e das doenças que eles transmitem, como dengue e chikungunya. Nos Estados Unidos, a infraestrutura de controle de mosquitos, em muitos casos, não acompanha a rápida proliferação, especialmente em novas áreas de infestação. O Dr. Daniel Markowski, da Associação Americana de Controle de Mosquitos, alerta que a alteração nos padrões climáticos está levando os mosquitos e as doenças que transmitem para regiões que não possuem programas de controle adequados.

A Ciência por Trás da Luta e Novas Estratégias

Embora os mosquitos sejam polinizadores e fonte de alimento para outros animais, algumas espécies representam uma ameaça significativa à saúde humana. Estima-se que 700 milhões de pessoas sejam infectadas e 1 milhão morram anualmente devido a doenças transmitidas por mosquitos. A classificação dos mosquitos como os animais mais mortais do mundo pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) reforça a urgência da questão. Cientistas exploram novas abordagens para controlar populações de mosquitos sem recorrer a pesticidas prejudiciais. Entre elas, destacam-se a modificação genética para introduzir genes nocivos, a infecção com a bactéria Wolbachia para controle contraceptivo e o uso de fungos geneticamente modificados que atraem e matam os insetos. O Dr. Raymond St. Leger, por exemplo, desenvolveu um fungo modificado com genes de aranha e escorpião, potencializado com odores florais para atrair mosquitos.

A Abordagem de Cinco Frentes do Comitê de Washington

O Comitê da População de Mosquitos Minúsculos implementou uma estratégia de cinco pilares para tornar os quintais menos hospitaleiros aos mosquitos:

  • Eliminar água parada: A remoção de qualquer acúmulo de água, mesmo em pequenas quantidades, é crucial, pois serve de criadouro para ovos de mosquitos.
  • Tratar fontes de água maiores: Para corpos d’água que não podem ser descartados, como lagos ornamentais, utilizam-se pastilhas com larvicidas naturais. Bueiros pluviais também recebem tratamento regular.
  • Atrair e capturar mosquitos: O uso de armadilhas com iscas que simulam odores humanos tem se mostrado eficaz na captura de mosquitos.
  • Trocar plantas: A substituição de plantas que criam ambientes úmidos e sombreados por espécies nativas que não favorecem a proliferação de mosquitos.
  • Divulgar a notícia: Incentivar a participação em massa da comunidade é visto como fundamental para o sucesso da iniciativa.

Em apenas três meses, o projeto expandiu-se para 1.800 residências em todo o Distrito de Columbia, com mais de 220 coordenadores de quarteirão. Embora os dados concretos ainda estejam sendo coletados, os relatos iniciais dos moradores indicam uma melhora significativa na redução da população de mosquitos, permitindo que atividades ao ar livre voltem a ser desfrutadas sem o incômodo das picadas.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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