Ribeirão Preto, SP – O Ministro da Saúde, Padilha, encerrou a primeira fase do programa Genoma SUS e lançou uma nova etapa do projeto em Ribeirão Preto, destacando os avanços da terapia celular CAR-T e anunciando investimentos significativos para a saúde brasileira. A visita ao campus da USP e ao Hospital das Clínicas também incluiu a entrega de novos veículos para reforçar o atendimento regional.
Terapia CAR-T: Esperança no Combate a Leucemias e Linfomas
Durante sua passagem por Ribeirão Preto, o ministro Padilha enfatizou a colaboração entre o Ministério da Saúde, o Governo do Estado de São Paulo, o Instituto Butantan, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a USP de Ribeirão Preto no desenvolvimento da terapia celular CAR-T. Este tratamento, voltado para leucemias e linfomas, recebeu um investimento federal de R$ 100 milhões em seu estudo clínico.
Os resultados preliminares são promissores: mais de 87% dos pacientes, que já haviam esgotado outras opções como quimioterapia, radioterapia e transplante, apresentaram resposta positiva. A terapia CAR-T desenvolvida em Ribeirão Preto foi incluída no Comitê de Inovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), uma iniciativa para acelerar a avaliação de produtos estratégicos para a saúde pública.
A expectativa do Ministério da Saúde é que o processo de análise regulatória seja concluído entre um ano e um ano e meio, após o acompanhamento de segurança e eficácia exigido internacionalmente. Caso aprovada, a terapia poderá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), oferecendo uma alternativa acessível. Padilha ressaltou que a produção nacional, com a participação de instituições públicas, é crucial para baratear o tratamento, que custa caro no mercado internacional.
Rodrigo Calado, diretor-presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto e professor da FMRP, considerou a reunião com o Ministério da Saúde e a Anvisa “extremamente produtiva”. Ele explicou que a próxima etapa envolve a preparação de hospitais universitários e serviços públicos em todo o país para oferecer a terapia quando ela for aprovada, e que novos estudos para outras doenças, incluindo autoimunes, já estão sendo planejados.
Genoma SUS: R$ 180 Milhões para Ampliar a Medicina de Precisão
Outro ponto alto da agenda foi o anúncio de R$ 180 milhões de investimento do Ministério da Saúde para a segunda fase do Genoma SUS. O programa, que teve início em 2020, visa expandir o conhecimento sobre a diversidade genética da população brasileira e fortalecer a medicina de precisão no país. Os novos recursos permitirão a inclusão de mais universidades e hospitais do SUS na iniciativa.
Padilha destacou o potencial do Brasil, um dos países com maior diversidade genômica do mundo, para o desenvolvimento de novos medicamentos e pesquisas clínicas. A expansão do programa permitirá ampliar a capacidade nacional de diagnóstico e pesquisa genética, como o sequenciamento do exoma, essencial para identificar doenças raras precocemente, melhorando a qualidade de vida dos pacientes. O ministro também mencionou que mudanças recentes na legislação de pesquisa clínica e novos mecanismos de avaliação contribuíram para um aumento de 30% na participação do Brasil em estudos clínicos internacionais para 2025.
Novos Veículos para Fortalecer o Atendimento Regional
A programação em Ribeirão Preto também incluiu a entrega de 66 veículos para transporte de pacientes e duas unidades odontológicas móveis, parte do programa “Agora Tem Especialistas”. Os veículos serão distribuídos para mais de 50 municípios da região, enquanto as unidades odontológicas móveis ampliarão o atendimento em áreas rurais e periféricas.
Para Padilha, os investimentos apresentados em Ribeirão Preto são um testemunho da capacidade do SUS de impulsionar a inovação em saúde por meio da articulação entre universidades, institutos de pesquisa e o sistema de saúde. “São experiências que mostram como o SUS aposta na ciência para salvar vidas, reduzir custos para as famílias e colocar o Brasil na vanguarda das terapias e dos diagnósticos inovadores”, concluiu o ministro.
Fonte: jornal.usp.br
