Mais de 900 Professores da USP Manifestam Apoio à Reitoria e Defendem Diálogo Institucional em Meio a Mobilizações

Mais de 900 Professores da USP Manifestam Apoio à Reitoria e Defendem Diálogo Institucional em Meio a Mobilizações

Docentes ressaltam abertura para negociação, avanços na permanência estudantil e a importância do respeito às instâncias colegiadas para a autonomia universitária.

Em um cenário de recentes mobilizações na Universidade de São Paulo (USP), mais de 900 professores da instituição, de diversas unidades e departamentos, publicaram um manifesto de solidariedade à Reitoria, ao reitor, à vice-reitora, aos colegiados e às direções de unidade. O documento enfatiza a importância do diálogo, dos ritos institucionais e do compromisso ético com a universidade pública, ao mesmo tempo em que destaca os esforços da gestão em lidar com as demandas da comunidade acadêmica.

Diálogo e Resolução de Conflitos

O manifesto inicia apontando que os fatos recentes demonstram a abertura da Reitoria para a negociação. Como exemplo, cita o encerramento da greve dos servidores técnico-administrativos, iniciada em 14 de abril de 2026 e finalizada em 23 de abril, após um acordo com a administração. Esse episódio, segundo os docentes, evidencia a possibilidade de soluções mesmo em momentos de tensão institucional.

Em relação à mobilização estudantil, os professores destacam que a Reitoria realizou sucessivas reuniões de negociação. Somente em abril, foram três encontros com os estudantes, totalizando cerca de 20 horas de diálogo. Novas reuniões ocorreram em maio, por meio de uma instância específica de mediação. Nessas conversas, a Reitoria propôs encaminhamentos concretos, como o aumento do auxílio do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), a ampliação da oferta de bolsas PUB e a criação de grupos de trabalho para atuar em diversas frentes. Os docentes argumentam que os impasses persistentes não podem ser atribuídos exclusivamente à ausência de concessões institucionais.

Avanços na Permanência e Inclusão Estudantil

Os signatários também fazem questão de ressaltar os avanços na política de permanência estudantil. Apesar dos desafios que ainda persistem, a USP vem aumentando significativamente o investimento em auxílios estudantis, incluindo PAPFE, bolsas, restaurantes e o programa BUSP. O total aplicado saltou de R$ 379 milhões em 2023 para R$ 461 milhões em 2026. Além disso, o Crusp (Conjunto Residencial da USP) recebeu melhorias nos últimos anos, com novas intervenções previstas para 2026. Esses dados, segundo o manifesto, demonstram um esforço institucional contínuo para fortalecer as condições de permanência e inclusão, sob a coordenação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (Prip), criada na administração anterior.

Defesa da Autonomia e Ritos Institucionais

O documento sublinha que, em uma instituição pública, plural e complexa como a USP, negociar não significa atender de forma imediata e integral a todas as demandas. As decisões institucionais, explicam os professores, exigem análise técnica, responsabilidade na gestão dos recursos públicos, observância dos marcos legais e deliberação pelas instâncias competentes.

A interrupção da reunião do Conselho Universitário em 26 de maio, após episódios publicamente repudiados por pró-reitores e dirigentes de unidades, é citada como um reforço à necessidade de preservar o funcionamento regular dos colegiados e a autonomia universitária. Para os docentes, sem o respeito às instâncias colegiadas, o diálogo perde seu papel de instrumento de construção coletiva e é substituído pela lógica da imposição, incompatível com a democracia.

O manifesto conclui reafirmando a solidariedade à gestão e a todos os colegiados, defendendo que o diálogo e os ritos institucionais não negam a legitimidade das reivindicações. A USP, segundo os professores, será mais forte se estudantes, servidores técnico-administrativos, docentes e dirigentes reconhecerem que integram um mesmo projeto público de universidade, que se sustenta no respeito mútuo, na negociação responsável e no compromisso ético com suas instituições.

Fonte: jornal.usp.br

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