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{
"title": "Identidade, Gênero e Raça na Escola Pública: Livro de Carina Zacarias Barros Revela 'Escrevivências' de Jovens e Desafios da Equidade",
"subtitle": "A obra 'Construindo a Igualdade de Gênero' da doutoranda Carina Zacarias Barros explora a interseccionalidade na educação e se consolida como ferramenta essencial para educadores e debates sociais.",
"content_html": "<p>A doutoranda em Ciências Sociais pela Unesp de Marília e estudante de Biblioteconomia da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Carina Zacarias Barros, é a autora do livro 'Construindo a Igualdade de Gênero: escrevivências, outras subjetividades e a (re)construção das identidades sociais juvenis'. Publicada pela Editora Paco, a obra é fruto de uma profunda pesquisa acadêmica e propõe uma reflexão sobre as complexas relações de gênero, raça e classe social no ambiente escolar, focando nas experiências de estudantes da educação básica.</p><p>Desde o seu lançamento em novembro de 2025, o livro tem sido reconhecido como um importante recurso para abordar temas como identidade racial, relações de gênero e desigualdades sociais dentro do contexto educacional. Carina Zacarias Barros tem participado ativamente de debates sobre a temática em diversos espaços acadêmicos, incluindo um encontro promovido pelo Coletivo Marias, ligado ao curso de Relações Internacionais da USP.</p><h3>As Origens da Pesquisa e o Programa Mulher e Ciência</h3><p>A pesquisa que deu origem ao livro começou durante a graduação de Carina em Pedagogia pela Unifesp, período em que atuou em escolas públicas de Guarulhos por meio de programas de residência pedagógica. Nessa fase, a autora participou de estudos sobre o Programa Mulher e Ciência, uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destinada a fomentar a pesquisa e o debate sobre gênero em diferentes níveis de ensino. Uma das ações do programa era o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, que recompensava produções de estudantes e pesquisadores e oferecia bolsas de estudo para jovens do ensino médio.</p><p>Ao analisar os trabalhos produzidos pelos participantes do prêmio, Carina identificou reflexões valiosas sobre identidade, racismo, heteronormatividade, patriarcado e violência de gênero. Esse material serviu como base para suas pesquisas posteriores, que visavam compreender a interação entre políticas públicas, movimentos sociais e educação. No mestrado, a autora aprofundou sua investigação sobre o impacto dessas iniciativas nas escolas, realizando trabalho de campo em uma unidade de ensino médio na periferia de Guarulhos.</p><h3>"Escrevivências": Vozes e Perspectivas dos Estudantes</h3><p>O livro adota o conceito de “escrevivência”, cunhado pela aclamada escritora Conceição Evaristo, para analisar as narrativas e experiências tanto dos jovens estudantes quanto da própria autora. Essa abordagem busca valorizar formas de produção de conhecimento que emergem das vivências de grupos historicamente marginalizados, incorporando perspectivas interseccionais que consideram simultaneamente gênero, raça e classe social.</p><p>Escrita em primeira pessoa, a obra mescla pesquisa acadêmica, análise de políticas educacionais e relatos de experiências vividas em escolas públicas. Carina explica que a publicação do trabalho em formato de livro foi motivada pelo desejo de tornar os resultados da pesquisa mais acessíveis para além do ambiente universitário, contribuindo assim para os debates que persistem no cotidiano escolar.</p><h3>Impacto e Contribuições para a Educação</h3><p>Embora não tenha sido concebido exclusivamente para educadores, o livro tem sido amplamente acolhido por professores da educação básica como uma ferramenta para refletir sobre identidade racial, relações de gênero e as desigualdades sociais presentes na educação. Para Carina Zacarias Barros, a obra também oferece uma lente para compreender a escola como um espaço dinâmico de disputa, diálogo e transformação social, influenciado pela atuação de movimentos sociais e pela implementação de políticas públicas voltadas à ampliação de direitos.</p><p>Entre as contribuições significativas do livro estão a defesa de uma compreensão relacional do gênero, sempre articulada às questões raciais e às desigualdades sociais; a retomada histórica do papel dos movimentos sociais na formulação de políticas públicas; o uso de metodologias inovadoras como a interseccionalidade e a escrevivência; e o diálogo com a produção intelectual de filósofas negras. A autora ressalta ainda a importância de reconhecer outras subjetividades, refletir sobre as experiências das juventudes, especialmente da juventude negra, e de entender a escola como um espaço vital de resistência e transformação social.</p><p>O livro está disponível nas principais plataformas de venda e no catálogo da Editora Paco.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br
