Kiev Acusa Exército Russo de Executar Centenas de Prisioneiros de Guerra; ONU Alerta para Aumento de Casos

Militar Ucrâniano Entre Vítimas Confirmadas

O soldado Andriy Dubnytsky, de 25 anos, está entre os centenas de prisioneiros de guerra que, segundo Kiev, foram executados pelo exército russo desde o início da invasão em larga escala em 2022. Lyudmyla Dubnytska, esposa do soldado, relatou à agência AFP que o marido foi morto em fevereiro de 2024, durante a retirada das tropas ucranianas de Avdiivka. Ferido, ele esperava ser resgatado com outros quatro camaradas feridos, mas acabaram sendo capturados.

Em uma última mensagem para a esposa, Dubnytsky expressou nervosismo e lágrimas, mencionando a possibilidade de captura. Horas depois, ele parou de responder. Um vídeo divulgado pela mídia ucraniana mostra o momento em que um soldado russo ordena que um companheiro de armas de Dubnytsky, Ivan Zhytnyk, depusesse as armas. Dois dias depois, Lyudmyla reconheceu o marido em um vídeo russo que exibia cinco corpos em uma poça de sangue, identificando-o por uma tatuagem em sua mão.

Aumento Alarmante de Execuções

A 110ª brigada ucraniana confirmou as mortes de Dubnytsky e Zhytnyk, acusando as forças russas de violarem um acordo de evacuação. Procuradores ucranianos iniciaram uma investigação sobre o “fuzilamento de prisioneiros de guerra ucranianos desarmados”. Autoridades ucranianas relataram à AFP um aumento significativo no ritmo dessas execuções a partir de 2023, atribuindo-as a uma política russa que, segundo eles, encoraja e permite tais crimes.

Um relatório da ONU divulgado no mês passado documentou 129 execuções confirmadas de prisioneiros de guerra ucranianos, após a organização já ter alertado para um “aumento acentuado” de casos no ano anterior. Kiev abriu 116 investigações sobre a morte de 306 militares ucranianos desde 2022, mas o número real de vítimas é estimado como sendo consideravelmente maior.

Números e Metodologias Divergentes

Serviços de inteligência ucranianos afirmam ter contabilizado mais de 900 militares mortos em mais de 340 incidentes desde 2022, o que representaria entre 25% e 40% do total de casos. As diferenças nos números são atribuídas a metodologias distintas de contagem, com a Procuradoria baseando-se em “factos documentados e comprovados”, enquanto os serviços de inteligência recebem informações mais rapidamente das linhas de frente.

Negações de Moscou e Complexidade das Investigações

Moscou tem sistematicamente negado as acusações de crimes de guerra, e em contrapartida, acusa Kiev de cometer tais atos. De acordo com as Convenções de Genebra, soldados que se rendem de forma clara adquirem o status de prisioneiros de guerra e devem ser protegidos. Relatos sugerem que o grupo Wagner, agora desmantelado, teve um papel em “definir o tom” das execuções, com seus membros compostos em grande parte por ex-reclusos.

A Ucrânia afirma que a maioria das vítimas é morta a tiro, e casos de homicídios extremamente brutais, incluindo decapitações, foram denunciados. Até o momento, apenas cinco soldados russos foram condenados na Ucrânia, dois à revelia. A complexidade das investigações, dificultada pela falta de acesso às zonas de combate, complica os processos judiciais. As autoridades russas não responderam a um pedido de comentário da AFP sobre as alegações.

Fonte: pt.euronews.com

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