Julio Katinsky: O Legado Imortal do Professor Emérito da USP que Moldou a Arquitetura Moderna e o Design Brasileiro

Julio Katinsky: O Legado Imortal do Professor Emérito da USP que Moldou a Arquitetura Moderna e o Design Brasileiro

Arquiteto, urbanista e educador, Katinsky faleceu aos 94 anos, deixando uma trajetória de mais de sete décadas dedicada à inovação, ao ensino e à pesquisa na FAU.

O cenário da arquitetura e do urbanismo brasileiros perdeu um de seus mais proeminentes nomes. Julio Roberto Katinsky, Professor Emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, faleceu na última quarta-feira, 10 de junho, aos 94 anos. Com uma carreira que se estendeu por mais de 70 anos, Katinsky deixa um legado indelével que se confunde com a própria história da FAU, marcada por sua dedicação ao ensino, à pesquisa e à prática profissional.

A Trajetória Acadêmica e o Início na FAU

Nascido em Salto, interior de São Paulo, em 1932, Katinsky ingressou na USP aos 20 anos, graduando-se em Arquitetura e Urbanismo em 1957, nos primórdios da FAU como unidade autônoma. Sua paixão pela área era evidente desde a vida estudantil, quando participou ativamente do Grêmio da faculdade e do Centro de Estudos Folclóricos (posteriormente Centro de Estudos Brasileiros), uma iniciativa pioneira voltada à pesquisa da arquitetura colonial, vernacular e moderna do Brasil. Em 1962, ele se juntou ao corpo docente da FAU, onde lecionou por mais de seis décadas, alcançando o título de professor titular e formando inúmeras gerações de arquitetos e urbanistas.

Obras Icônicas: Da Poltrona Katinsky a Projetos Urbanos

Ao longo de sua vasta carreira, Katinsky desenvolveu uma produção arquitetônica e de design notável pela diversidade e inovação. Trabalhou em escritórios de renome, como o L’Atelier de Jorge Zalszupin, onde projetou a mesa de centro Andorinha, e o de João Batista Vilanova Artigas. Sua criatividade também se manifestou em peças emblemáticas do design brasileiro, como a Poltrona Katinsky (1959) e a Banqueta Katinsky (final da década de 1960). Entre seus principais projetos arquitetônicos, destacam-se o Iate Clube de Londrina (1960), o Teatro Municipal de Santos (em parceria), sua residência em Paraty (1968), a participação no Pavilhão do Brasil na Expo 70 em Osaka (coordenado por Paulo Mendes da Rocha), e sua casa em Perdizes, São Paulo, vista como uma síntese de suas reflexões sobre habitação.

Contribuições para o Patrimônio e o Setor Público

A atuação de Katinsky não se limitou ao ambiente acadêmico e aos projetos privados. Nos anos 1970, ele integrou a Divisão de Arquitetura e Urbanismo da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), contribuindo para projetos de usinas como Xavantes e Corumbataí. Em 1986, fez parte da equipe coordenada por Oscar Niemeyer para o desenvolvimento do projeto de reurbanização do Parque do Tietê. Sua preocupação com a memória e a história do Brasil também o levou a atuar na preservação do patrimônio histórico, com trabalhos no Engenho dos Erasmos, em Santos, e, mais recentemente, no restauro do edifício principal da Faculdade de Medicina da USP, a Casa de Arnaldo.

O Mestre e Pesquisador: O Legado Intelectual na USP

Como docente e pesquisador do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU, Katinsky foi fundamental para os estudos de História da Arquitetura, História das Técnicas e Tecnologia. Sua tese de doutorado, “Casas Bandeiristas”, defendida em 1973, sob orientação de Flavio Motta, tornou-se uma referência incontornável na arquitetura brasileira. Foi pioneiro na utilização de maquetes e modelos tridimensionais como ferramenta de análise crítica e aprofundou pesquisas sobre perspectiva linear e representação. Na pós-graduação, orientou dezenas de mestres e doutores, incentivando estudos em História da Ciência e Metodologia Científica aplicada à Arquitetura e ao Urbanismo. A FAU-USP, em reconhecimento à sua imensa contribuição, publicou uma nota de homenagem assinada por professores e mestrandos, celebrando a vida e obra desse gigante da arquitetura brasileira.

Fonte: jornal.usp.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *