Show em Reggio Emilia enfrenta oposição crescente
A possibilidade de Kanye West, agora conhecido como Ye, se apresentar em Reggio Emilia, na Itália, no próximo dia 18 de julho, como atração principal do festival Hellwatt, está gerando forte controvérsia. Diversos grupos, incluindo a comunidade judaica local, organizações antifascistas, sindicatos e figuras políticas, estão pressionando as autoridades italianas para que o concerto seja cancelado. A pressão se intensifica após uma série de anulações de shows na etapa europeia de sua turnê de 2026, motivadas por declarações antissemitas feitas pelo artista.
Políticos italianos pedem intervenção governamental
Pina Picierno, vice-presidente do Parlamento Europeu e dirigente do Partido Democrata italiano, apelou diretamente ao governo para que tome medidas. Ela destacou que outros países europeus já barraram a entrada de West ou dificultaram a realização de seus shows. “O Reino Unido recusou o visto. França impediu, na prática, o concerto em Marselha”, declarou Picierno ao jornal La Gazzetta di Reggio, criticando a postura passiva da Itália diante da venda de 68.000 ingressos.
Sindicatos defendem valores antifascistas e pedem diálogo
Rosamaria Papaleo, representante da Confederação Italiana de Sindicatos de Trabalhadores na Emilia-Romagna, expressou preocupação com a realização do evento. “Parece bastante contraditório que um artista conhecido pelas suas declarações antissemitas possa ser acolhido pela nossa cidade, que sempre defendeu fortemente os valores antifascistas. O antifascismo, para nós, não é um capricho, mas um valor enraizado na nossa história”, afirmou Papaleo à CBS News. O sindicato propôs um encontro entre West e membros da comunidade judaica para discutir suas declarações passadas.
Prefeito de Reggio Emilia se distancia, mas delega decisão ao Ministério do Interior
O prefeito de Reggio Emilia, Marco Massari, declarou que se “distancia do comportamento e das declarações de Kanye West”, mas ressaltou que a decisão final sobre a entrada do músico no país cabe ao Ministério do Interior italiano. Enquanto isso, Victor Yari Milani, diretor artístico do festival Hellwatt, defendeu a presença de West, classificando o festival como “um espaço de livre expressão artística”. Ele também mencionou o pedido de desculpas formal de West ao Wall Street Journal em janeiro, onde ele atribuiu seu comportamento a um transtorno bipolar e negou ser nazista ou antissemita.
Histórico de controvérsias e cancelamentos
As polêmicas declarações de Kanye West ganharam destaque em 2022, com postagens ofensivas nas redes sociais que levaram à sua expulsão de plataformas como X e Instagram. O rapper também enfrentou o rompimento de contratos com agências e marcas renomadas, como Adidas e Balenciaga. Seu histórico inclui a publicação de imagens relacionadas ao Ku Klux Klan, retratação de desculpas à comunidade judaica, autodeclaração como “nazista” e declarações sobre “domínio sobre a mulher”. Em 2025, West chegou a vender camisetas com suásticas e lançou uma música com a temática “Heil Hitler”, resultando no cancelamento de seu visto na Austrália e em alertas de detenção no Brasil. Recentemente, West divulgou um anúncio de página inteira no Wall Street Journal, descrevendo um “episódio maníaco de quatro meses de comportamento psicótico, paranoico e impulsivo” e declarando ter “perdido o contacto com a realidade”. No entanto, o momento do pedido de desculpas, próximo ao lançamento de seu novo álbum, gerou ceticismo.
Turnê europeia sob risco
Atualmente, as únicas datas europeias confirmadas para West são na Turquia (30 de maio), Países Baixos (6 e 8 de junho), Itália (18 de julho), Madri (30 de julho) e Portugal (7 de agosto). A crescente pressão na Itália adiciona mais um ponto de interrogação sobre a continuidade da turnê europeia do artista.
Fonte: pt.euronews.com
