Grancar Futura: A Pioneira Minivan Brasileira Que Foi Inspirada na Renault Espace Europeia

O Nascimento de uma Ideia Inovadora

Em 1990, o mercado automotivo brasileiro recebia um sopro de novidade com a Grancar Futura, a primeira minivan produzida no país. Lançada seis anos após a pioneira Renault Espace na Europa, a Futura, idealizada pela Grancar Design de Toni Bianco, era uma ousada releitura do conceito francês. A inspiração era clara: uma unidade da Espace foi importada para servir como base de estudo para o projeto nacional.

Design e Construção: Fibra de Vidro e Versatilidade

Assim como sua inspiração europeia, a carroceria da Grancar Futura era construída em plástico reforçado com fibra de vidro, uma escolha que permitia flexibilidade no design e na produção. Toni Bianco, com o apoio de Armando George Neto, proprietário da Ford Grancar, dedicou um ano ao desenvolvimento das modificações na carroceria, ferramental e chassi. O objetivo era replicar a versatilidade de assentos da Espace, que permitia diversas configurações para otimizar o espaço interno e o conforto dos ocupantes.

Mecânica Nacional com Toque Ford e VW

Para viabilizar a produção, a Grancar Futura utilizou o conjunto mecânico de modelos conhecidos da época, como o Del Rey e a Belina. O motor inicial era o 1.8 AP, compartilhado entre Ford e Volkswagen, entregando 98 cv e acoplado a um câmbio manual de cinco marchas. Essa escolha visava a suavidade e o silêncio, prioridades para o conforto a bordo. No interior, o cuidado com a montagem e os materiais chamava a atenção. Os bancos dianteiros podiam girar, criando um ambiente de sala de estar, e os assentos centrais podiam se transformar em mesas. A inspiração nos modelos Ford era visível em componentes como o painel, console central e comandos de ar-condicionado, enquanto retrovisores e o tanque de combustível vinham do Escort.

Desafios de Desempenho e a Evolução para a Versão LX

Apesar do conceito promissor, as primeiras medições realizadas pela revista QUATRO RODAS em 1990 revelaram que o motor 1.8 de 98 cv mostrava-se insuficiente para os 1.300 kg da minivan, especialmente em situações de carga ou subidas íngremes. A produção girava em torno de 18 a 20 unidades mensais. Como alternativa, a Grancar oferecia a opção de turbinar o motor. A solução definitiva para a falta de fôlego veio em setembro de 1991 com a Grancar Futura LX. Equipada com o motor 2.0 de 116 cv, a minivan apresentou um desempenho significativamente melhor, aproximando-se de rivais importadas como a Chevrolet Lumina. Em testes, a Futura LX atingiu 148 km/h e acelerou de 0 a 100 km/h em 15,01 segundos, desempenho comparável ao da Lumina com seu motor V6.

Legado e o Fim de uma Era

Apesar das melhorias, a produção da Grancar Futura foi encerrada no final de 1991, com um total de 159 unidades fabricadas. A abertura do mercado brasileiro às importações pressionou a continuidade do projeto. No entanto, a Futura deixou seu marco como a primeira minivan brasileira, um veículo que apostou na versatilidade e no conforto em um segmento ainda a ser explorado. Oito anos depois, a Renault voltaria ao Brasil com a Scénic, retomando o conceito que a Futura ajudou a introduzir no país.

Dados de Desempenho e Testes (Setembro de 1991 – Futura LX)

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 15,01 s
  • Velocidade máxima: 148,8 km/h
  • Frenagem de 60 km/h a 0: 16,3 m
  • Consumo médio: 9,12 km/l
  • Preço (agosto de 1991): CR$ 10,7 milhões (equivalente a R$ 358.334 em valores atuais pelo IGP-M/FGV)

Ficha Técnica (Grancar Futura 1991)

  • Motor: Dianteiro, longitudinal, 4 cilindros em linha, 1984 cm³, gasolina.
  • Potência: 116 cv a 5.200 rpm (versão LX).
  • Câmbio: Manual de cinco marchas, tração dianteira.
  • Dimensões: Comprimento, 436 cm; Largura, 177 cm; Altura, 166 cm; Entre-eixos, 258 cm.
  • Peso: 1.290 kg.
  • Suspensão: Independente na dianteira, eixo rígido na traseira.
  • Freios: Disco na dianteira e tambor na traseira.
  • Direção: Hidráulica, pinhão e cremalheira.
  • Rodas: Aro 14, pneus 195/70 SR 14.

Fonte: quatrorodas.abril.com.br

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