Francesco Sibilla retorna à Toscana e lamenta a perda da essência de Florença: “O salão elegante da Itália” se tornou caótico

A visão de um florentino sobre a mudança de sua cidade amada

Francesco Sibilla, um florentino de nascimento e criação, compartilha com os leitores do Jornal Italia suas impressões sobre o retorno à sua amada Toscana, focando desta vez nos aspectos que considera negativos em sua cidade natal, Florença. Sibilla, que viveu no centro histórico (Quartiere 1) e pôde observar a cidade evoluir desde a infância, agora, residindo no exterior, percebe as mudanças de forma ainda mais acentuada, tanto positivas quanto negativas.

Florença nos anos 80 e 90: um retrato de um passado vibrante

O autor relembra com nostalgia os anos 80 e 90, quando Florença era descrita como “o salão elegante da Itália”, uma joia renascentista. Seu bairro, o Quartiere 1, e a Via Nazionale, eram o epicentro da vida local, repletos de lojas tradicionais: sapateiros, açougues, salumerias, lojas de roupas, lembranças, balanças e torrefações de café. A ida ao Mercato Centrale de San Lorenzo era uma experiência sensorial, com aromas de especiarias, frutas e carnes, e a presença de estabelecimentos icônicos como uma loja de bacalhau, uma loja militar vintage e boutiques de moda americana.

Sibilla descreve a atmosfera do mercado, com açougues, lampredotto, gastronomias e a seção de frutas e verduras no andar superior. Ele destaca a familiaridade entre os comerciantes e a comunidade, onde todos se conheciam e conversavam. O detalhe mais marcante para ele, no entanto, era o silêncio, indicando um bairro predominantemente habitado por moradores e com poucos turistas.

O declínio com a chegada da ZTL e a ascensão do turismo de massa

A introdução da Zona de Tráfego Limitado (ZTL) é apontada por Sibilla como um divisor de águas negativo, dificultando o acesso de muitos florentinos ao centro e marcando o início do declínio. A Via Nazionale viu o fechamento de estabelecimentos tradicionais, sendo substituídos por kebabs e lojas multiétnicas. As relações humanas se tornaram impessoais, com a perda do contato com os comerciantes que antes faziam parte do cotidiano.

As bancas do mercado, antes voltadas aos moradores, passaram a atender exclusivamente turistas, vendendo artigos de couro e pele a preços elevados. Confeitarias e pizzarias históricas fecharam, assim como uma norcineria tradicional, esmagadas pela queda nas vendas, evidenciando a dependência do comércio local dos residentes. O autor observa que os turistas possuem gostos e hábitos diferentes, assim como os novos moradores, cujas crenças e costumes impactam a culinária e as relações sociais.

Florença caótica: a perda da identidade sob o peso do turismo

Com o passar dos anos, o turismo, que antes era de elite, expandiu-se para diversas classes sociais, resultando em uma “verdadeira invasão turística”. Sibilla lamenta que o turismo “bate e volta” tenha trazido mais sujeira e degradação do que benefícios. A cidade, que era um “salão tranquilo”, tornou-se caótica, incapaz de suportar o volume de visitantes. A perda de características próprias é evidente, com o aumento de roubos, sujeira, degradação e criminalidade.

Após uma ausência de quase dois anos, Sibilla relata momentos em que sentiu que a cidade já não lhe pertencia mais, sentindo-se como um “turista” em sua própria terra. Ele promete continuar a narrativa em capítulos futuros, alternando aspectos negativos e positivos, e compartilhando suas experiências gastronômicas e de vida em Florença.

Fonte: jornalitalia.com

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