Exposição na USP celebra Carmela Gross, Regina Silveira, Evandro Carlos Jardim e Carlos Fajardo, ícones da arte brasileira e futuros Professores Eméritos da ECA

Quatro nomes consagrados da arte contemporânea brasileira – Carmela Gross, Regina Silveira, Evandro Carlos Jardim e Carlos Fajardo – são os protagonistas da exposição ‘4 Eméritos’, em cartaz no Espaço das Artes, na Cidade Universitária, em São Paulo. A mostra, que fica aberta ao público até o dia 26 deste mês, celebra a trajetória desses artistas que, no dia 18, receberão o título de Professor Emérito da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Com curadoria do professor Marco Gianotti, também da ECA, a exposição integra as atividades comemorativas dos 60 anos da escola, fundados em 16 de maio.

Gianotti ressalta o percurso notável dos quatro professores do Departamento de Artes Plásticas da ECA. A exposição apresenta as obras de forma ampla, com um contraste de cores marcante, convidando o espectador a uma experiência imersiva e reflexiva sobre a produção artística e o papel do observador.

Carlos Fajardo e a Percepção do Olhar

À esquerda da entrada, o projeto de Carlos Fajardo desafia a percepção com uma sequência de espelhos e vidros dispostos em paredes paralelas. A instalação explora a relação intrínseca entre o olhar do observador e a existência da obra de arte. O espectador, ao se posicionar entre as peças, pode se ver refletido em múltiplos espelhos, criando um jogo visual complexo. “Você está vendo a obra, mas também está se vendo. Há uma relação em que você faz parte do jogo”, explica Gianotti, destacando como essa interação insere a imagem do público no processo de construção da arte, ativando a percepção da obra. Fajardo, formado em Arquitetura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi membro do Grupo Rex em 1966, movimento que inovou o cenário artístico brasileiro, e lecionou e orientou pós-graduação em Poéticas Visuais na ECA a partir dos anos 70.

Regina Silveira e as Marcas Humanas

À direita, a obra de Regina Silveira impacta com imagens de mãos gigantes, enfatizando digitais e linhas da palma. Um pequeno protótipo ao lado demonstra a dimensão da instalação em relação ao observador. Gianotti interpreta a obra como uma expressão das marcas humanas e da presença do homem ao longo da história da arte. “É como se ele, ao pintar a si mesmo, deixasse nas grutas o seu primeiro registro como ser humano”, diz o curador, conectando a obra a pinturas rupestres. Ele descreve a instalação como uma “imagem muito contemporânea, quase um grande grafite, um mural”, que evoca gestos simbólicos de presença e marcação. Regina Silveira, formada em Artes Plásticas pela UFRGS, com mestrado e doutorado na ECA, é conhecida por sua abordagem multimídia, que inclui artes públicas, instalações, vídeos e obras em diversas superfícies, questionando as formas tradicionais de representação visual.

Evandro Carlos Jardim: Poética Urbana em Gravuras

Em frente à instalação de Regina Silveira, uma coletânea de gravuras em metal de Evandro Carlos Jardim, produzidas para sua tese de doutorado na ECA em 1991, é exposta em duas vitrines. As obras do artista carregam uma forte dimensão existencial, como evidenciado em seu autorretrato, repleto de sombreamentos. Gianotti aponta um fator metalinguístico na relação do artista com a arte, observando gravuras que representam mãos segurando pincéis. “Em vez de ele estar desenhando sua tese, ele está desenhando o ato de desenhar e de escrever”, comenta o curador. A cidade de São Paulo, frequentemente retratada nas obras de Jardim, surge como protagonista, com destaque para uma gravura sobre o Pico do Jaraguá, que revela “uma poética urbana muito forte, que surge desses signos de transformações constantes”. Evandro Carlos Jardim, formado em 1958 na Escola de Belas Artes de São Paulo, participou da 9ª Bienal de São Paulo e é especialista em gravura em metal, especialmente na técnica da água-forte, além de ter sido professor na ECA.

Carmela Gross e a Dimensão Político-Social

Na sala anexa, Carmela Gross apresenta ‘O Fotógrafo’, uma instalação composta por lâmpadas fluorescentes vermelhas e cavaletes metálicos. Gianotti destaca a dimensão política e social da obra. “Tem algo quase primitivo, porque parece uma forma antropomórfica. É a maneira mais simples através da qual você consegue configurar um ser humano: dois braços, um tronco, uma cabeça e duas pernas”, explica o curador. A produção de Carmela Gross explora a relação entre a obra, sua disposição no espaço expositivo, o ambiente urbano e o olhar do público. Em ‘4 Eméritos’, ela sugere um campo de visão intencionalmente apertado, remetendo ao olhar em uma sala vermelha de revelação de fotos. Carmela Gross, artista formada pela Faap e com mestrado e doutorado pela ECA, também é educadora, o que influenciou sua perspectiva artística desde seus primeiros trabalhos com atividades plásticas para crianças em praças públicas de São Paulo, nos anos 1960.

A exposição ‘4 Eméritos’ pode ser visitada gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, no Espaço das Artes, localizado na Rua da Praça do Relógio, 160, na Cidade Universitária, em São Paulo.

Fonte: jornal.usp.br

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