Ribeirão Preto foi palco de um encontro científico e cultural que estreitou os laços entre Brasil e Estados Unidos. A Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP recebeu uma delegação da Appalachian State University, da Carolina do Norte, para uma imersão nos estudos sobre fermentação de alimentos e bebidas. A iniciativa, que reuniu professores, estudantes e especialistas de ambos os países, destacou o papel crucial da fermentação na produção de alimentos mais seguros e sustentáveis, ao mesmo tempo em que consolidou a cooperação acadêmica internacional.
A visita, que ocorreu entre 8 e 11 de junho, integrou o Summer Program da universidade norte-americana e foi viabilizada por meio do Programa Institucional de Internacionalização (Capes-PrInt). A delegação americana foi composta por dois professores, uma funcionária e nove estudantes de graduação do Departamento de Química e Ciências da Fermentação. Ao lado deles, participaram sete alunos da USP e dois monitores, em um ambiente de troca de conhecimentos e experiências.
Intercâmbio Acadêmico e o Programa Capes-PrInt
O intercâmbio foi resultado de contatos estabelecidos no âmbito do Capes-PrInt, reforçando a importância da internacionalização para o desenvolvimento científico. A professora Elaine Cristina Pereira de Martinis, da FCFRP e coordenadora do curso, destacou a relevância de ampliar a colaboração com o Departamento de Química e Ciências da Fermentação da Appalachian State University, reconhecido por sua expertise na área. Entre os convidados, os professores Folarin Oguntoyinbo e Brett Taubman, ambos com vasta experiência em fermentações, trouxeram perspectivas globais, com Oguntoyinbo compartilhando insights valiosos sobre alimentos fermentados no continente africano.
Fermentação: Soluções para a Segurança Alimentar Global
Um dos pontos altos da programação foi o curso presencial de difusão “From Burden to Solutions – Classic and Emerging Studies on Food Fermentation Towards Safer Food” (Dos desafios às soluções – Estudos clássicos e emergentes sobre fermentação de alimentos para uma alimentação mais segura). Com 12 horas de duração, o curso abordou os avanços científicos relacionados à fermentação de alimentos e bebidas e seu impacto na produção de itens mais seguros, saudáveis e sustentáveis.
A iniciativa também celebrou o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, lembrado em 7 de junho, cuja temática deste ano, “Dos problemas às soluções”, ressoou diretamente com os estudos apresentados. A professora Elaine explicou que as fermentações podem tornar os alimentos mais seguros ao reduzir compostos tóxicos e inibir a proliferação de patógenos, graças à multiplicação de microrganismos benéficos. “Os alimentos fermentados geralmente apresentam maior vida útil, melhor valor nutricional e maior segurança microbiológica”, afirmou. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que doenças transmitidas por alimentos causam cerca de 866 milhões de casos e 1,5 milhão de mortes anualmente, sublinhando a urgência de soluções eficazes.
Pesquisas e Atividades Práticas
Durante o curso, os participantes exploraram uma gama de tópicos, desde alimentos fermentados tradicionais de diversas regiões do mundo e biotecnologia aplicada à produção de bebidas, até a fermentação de cacau, inovação no uso de leveduras e estudos sobre a microbiota de alimentos fermentados. Pesquisas desenvolvidas na FCFRP sobre mel produzido por abelhas sem ferrão, focadas em seus processos fermentativos naturais e aplicações biotecnológicas, também foram apresentadas. A programação incluiu uma atividade prática de fermentação piloto para produtos biotecnológicos e uma visita técnica ao Museu da Cana, em Sertãozinho, enriquecendo o aprendizado com aspectos históricos e tecnológicos.
Cultura e Perspectivas Futuras
Além das atividades científicas, o intercâmbio proporcionou momentos culturais, como a apresentação de violão acústico do estudante norte-americano Cyrus Ager, que interpretou músicas típicas do sudeste dos Estados Unidos. O grupo também participou de ações ambientais em parceria com a Prefeitura de Ribeirão Preto, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente. A aproximação entre as universidades promete ser duradoura, com a tramitação de um convênio de cooperação acadêmica entre a USP e a Appalachian State University, visando expandir as ações de intercâmbio e colaboração científica nos próximos anos.
Fonte: jornal.usp.br
