A guerra, no século XXI, deixou de ser um evento excepcional para se tornar uma lógica permanente que permeia a sociedade. Sua manifestação não se restringe mais a conflitos militares, mas se estende à vigilância digital, ao controle de dados, às disputas econômicas, à influência dos algoritmos e à manipulação da informação. Essa transformação, intensificada pela ascensão da Inteligência Artificial (IA), aprofunda debates sobre governança tecnológica e os limites da liberdade.
O “Estado de Exceção” Digital
O filósofo Giorgio Agamben descreve o “estado de exceção” como a normalização de medidas emergenciais em nome da segurança. No contexto atual, essa lógica se manifesta na aceitação contínua de controles digitais e monitoramento. Segundo Gilson Schwartz, professor da Rádio USP e colunista da Iconomia, essa realidade produz sociedades marcadas pelo medo e controle, onde “o inimigo se torna difuso e permanente”.
IA e o Controle Contínuo
Com raízes no Estado moderno e no capitalismo, essa dinâmica se potencializa com a IA. A capacidade de processar vastas quantidades de dados e influenciar comportamentos através de algoritmos transforma o cenário, tornando a vigilância uma ferramenta onipresente. O professor Schwartz, em sua coluna que completa 10 anos e 336 edições, tem alertado para essa intersecção entre tecnologia, economia e a constante redefinição do poder na era digital.
Fonte: jornal.usp.br
