Câncer Colorretal: Teste de Sangue Oculto nas Fezes é Crucial Após os 50 Anos para Prevenção e Detecção Precoce
O Março Azul Marinho destaca a importância de um exame simples e eficaz que pode evitar tratamentos agressivos e salvar vidas, segundo especialista da USP.
Com o encerramento das campanhas Março Lilás e Março Amarelo, que abordaram a prevenção do câncer de colo uterino e a conscientização sobre a endometriose, respectivamente, o foco agora se volta para o Março Azul Marinho. Este mês é dedicado à prevenção do câncer colorretal, o segundo tipo de tumor mais comum entre homens e mulheres no Brasil, especialmente prevalente em indivíduos acima dos 50 anos. Mundialmente, essa doença é responsável por aproximadamente 10% de todas as mortes por câncer.
De acordo com o professor Ulysses Ribeiro Jr., da Faculdade de Medicina da USP e coordenador médico da Oncologia Cirúrgica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), cerca de 80% dos casos de câncer colorretal estão associados a hábitos de vida não saudáveis. A falta de atividade física, uma dieta rica em gordura animal e pobre em fibras, o consumo excessivo de álcool, o tabagismo e a obesidade são fatores de risco significativos. A obesidade, em particular, contribui para uma inflamação crônica no organismo, que pode levar à formação de pólipos – verrugas que crescem na parede intestinal – e a alterações genéticas que os transformam em tumores.
Compreendendo o Câncer Colorretal e Seus Riscos
Um dado alarmante apontado por Ribeiro é que, devido à ausência de detecção precoce, 70% dos pacientes que chegam ao Icesp já estão em estágios avançados da doença, o que dificulta consideravelmente o tratamento. Quando o tumor cresce no intestino, ele pode manifestar sintomas como sangramento nas fezes, dores abdominais e alterações no hábito intestinal. “Indivíduos que tenham um intestino meio constipado de repente começam a ter diarreia, ou indivíduos que têm intestino mais solto e começam a ficar constipados”, explica o especialista. Para tumores localizados nas regiões mais baixas do intestino, como o reto ou a área anal, os sintomas podem incluir afilamento das fezes ou a sensação de evacuação incompleta.
Sinais de Alerta: Quando Procurar Ajuda
O sangramento nas fezes é um sintoma que exige atenção redobrada, pois pode ser erroneamente atribuído a hemorroidas. No entanto, o professor alerta que não é incomum que um tumor esteja presente juntamente com hemorroidas. “O indivíduo pensa que é hemorroida, mas o sangue vem lá de cima, então a gente tem que tomar cuidado com isso”, ressalta. É importante diferenciar esses sinais, pois a origem do sangramento é crucial para o diagnóstico. Contudo, não há evidências científicas que comprovem um aumento na incidência de câncer em pessoas com diverticulite, uma inflamação no intestino grosso cujos sintomas podem se confundir com os do câncer.
O Papel Crucial do Teste de Sangue Oculto nas Fezes
A detecção precoce do câncer colorretal é fundamental e pode ser realizada por meio de rastreamento, que inclui o exame de sangue oculto nas fezes. Este método é considerado uma forma de prevenção secundária, permitindo o diagnóstico de lesões precoces antes mesmo do surgimento dos sintomas. Atualmente, o teste de sangue oculto nas fezes se tornou mais simples e eficaz. Caso o resultado seja positivo, o próximo passo é a colonoscopia. Essa abordagem evita a realização de colonoscopias desnecessárias em toda a população, o que reduziria custos e o número de exames negativos.
A Eficácia Comprovada da Detecção Precoce
No Brasil, onde o rastreamento organizado ainda não é uma realidade difundida, a recomendação é que o teste de sangue oculto nas fezes seja feito anualmente a partir dos 50 anos de idade. Ribeiro enfatiza que, se detectadas em estágios iniciais, as lesões cancerígenas podem ser removidas durante a própria colonoscopia, eliminando a necessidade de tratamentos mais invasivos e agressivos no futuro. A eficácia desse exame é comprovada por estudos: uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas com 10 mil pessoas na zona leste de São Paulo revelou que 7% dos participantes, assintomáticos, apresentaram sangue oculto positivo. Desse grupo, 550 foram submetidos à colonoscopia, e 51 tinham tumores, sendo mais da metade ressecados durante o procedimento. Este dado reforça a importância e o potencial salvador do teste de sangue oculto nas fezes na luta contra o câncer colorretal.
Fonte: jornal.usp.br
