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"title": "Jornada na USP Celebra Boris Schnaiderman: O Legado Duradouro do Pioneiro da Literatura Russa e da Tradução no Brasil",
"subtitle": "Evento no Centro MariAntonia reuniu especialistas para revisitar a trajetória multifacetada do professor, tradutor e crítico que introduziu os estudos eslavos no país.",
"content_html": "<h1>Jornada na USP Celebra Boris Schnaiderman: O Legado Duradouro do Pioneiro da Literatura Russa e da Tradução no Brasil</h1>nn<h2>Evento no Centro MariAntonia reuniu especialistas para revisitar a trajetória multifacetada do professor, tradutor e crítico que introduziu os estudos eslavos no país.</h2>nn<p>A Universidade de São Paulo (USP) sediou recentemente, no dia 28, a Jornada Boris Schnaiderman, um evento dedicado a homenagear a vida e a vasta obra do professor, tradutor e crítico literário Boris Schnaiderman (1917-2016). Realizada no Centro MariAntonia da USP, a jornada celebrou a figura que não apenas introduziu os estudos de língua e literatura russa no Brasil, mas também revolucionou a forma como o país se relacionava com a cultura eslava.</p>nn<p>Organizada por Bruno Gomide, professor do Departamento de Letras Orientais da FFLCH, a programação incluiu conversas, intervenções artísticas e depoimentos de colegas, alunos e familiares, traçando um panorama completo das múltiplas frentes de atuação de Schnaiderman.</p>nn<h3>O Pioneirismo que Moldou a Literatura Russa no Brasil</h3>nn<p>Boris Schnaiderman é amplamente reconhecido como um divisor de águas na tradução e no ensino da literatura russa no Brasil. Antes de sua chegada, as traduções diretas do russo para o português eram raras, com a maioria das obras chegando via traduções francesas. Schnaiderman, no entanto, estabeleceu um novo padrão de rigor, dedicação e qualidade ao traduzir sistematicamente a partir dos textos originais.</p>nn<p>Sua contribuição não se limitou apenas à metodologia de tradução; ele também foi crucial na seleção de autores. Além de nomes fundamentais como Dostoiévski e Tolstói, Schnaiderman apresentou ao público brasileiro escritores da União Soviética do século XX, muitos deles desconhecidos ou abordados apenas sob uma perspectiva ideológica. Foi ele quem trouxe uma análise substancial e aprofundada desses autores. Outra inovação foi a tradução da poesia russa, um campo praticamente inexplorado no Brasil antes de sua atuação, muitas vezes em colaboração com figuras como Haroldo e Augusto de Campos.</p>nn<p>Como educador, Schnaiderman fundou o primeiro curso universitário de Língua e Literatura Russa no país, na USP, inicialmente como curso livre e posteriormente integrado à graduação em Letras. Esse período, no início dos anos 1960, era propício, marcado pela desestalinização na União Soviética e um crescente interesse mundial pela Rússia, em um contexto de intensa troca cultural e democrático no Brasil.</p>nn<h3>A Visão Crítica e o Jornalismo Cultural</h3>nn<p>A atuação de Schnaiderman como crítico, ensaísta e jornalista cultural também foi fundamental para a disseminação da literatura russa no Brasil. Sua atividade crítica começou no final dos anos 1960, com publicações em veículos como o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, e continuou ininterruptamente até sua morte. Ele foi um dos críticos mais longevos da imprensa brasileira, e muitos leitores conheceram a literatura russa por meio de seus artigos.</p>nn<p>Além de suas próprias análises originais sobre a literatura russa dos séculos XIX e XX, Schnaiderman foi um mediador do universo crítico russo, introduzindo debates sobre formalistas e pensadores como Mikhail Bakhtin. Chegou a trazer pessoalmente figuras como Roman Jakobson ao país, enriquecendo o intercâmbio intelectual.</p>nn<h3>Vida, Guerra e o Legado de um Intelectual</h3>nn<p>Nascido em Uman, na Ucrânia, em 1917, Boris Schnaiderman chegou ao Brasil aos 8 anos, em 1925. Naturalizado brasileiro em 1941, ele integrou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial, experiência que inspirou seu romance "Guerra em Surdina" (1964). Embora graduado em Engenharia Agronômica, dedicou sua vida ao estudo e ensino da literatura russa na USP, lecionando até 1979 e continuando suas atividades na pós-graduação mesmo após a aposentadoria.</p>nn<p>Seu reconhecimento veio em diversas formas: tornou-se Professor Emérito da FFLCH em 2001, recebeu o Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras em 2003 e a Medalha Pushkin do governo russo em 2007, em reconhecimento à sua incansável divulgação da cultura russa. Entre suas obras publicadas, destacam-se também "A Poética de Maiakovski" (1971), "Dostoiévski: Prosa e Poesia" (1982), "Os Escombros e o Mito: a Cultura e o Fim da União Soviética" (1997) e "Tradução, Ato Desmedido" (2015).</p>nn<h3>A Homenagem Multifacetada no Centro MariAntonia</h3>nn<p>A Jornada Boris Schnaiderman reuniu uma série de personalidades para discutir as diversas facetas do homenageado. A tradutora e professora Aurora Bernardini proferiu a palestra de abertura. A escritora russa contemporânea Egana Djabbarova participou de uma conversa mediada por Elena Vassina e Arlete Cavaliere, evidenciando a continuidade da voz poética russa que Schnaiderman tanto apreciava.</p>nn<p>Aspectos como o trabalho de tradutor foram abordados por Nelson Ascher, Walter Costa e Fátima Bianchi. A faceta de educador contou com a participação de Rubens Pereira dos Santos, Maria Augusta da Fonseca e Irene Machado. Já a atuação crítica foi revista por Bruno Gomide, Mário Ramos, Beth Brait e Maria Aparecida Fernandes. Para falar sobre suas publicações, estiveram presentes Alberto Martins e Cide Piquet, editores da Editora 34, responsável por grande parte das traduções de Schnaiderman.</p>nn<p>O evento foi enriquecido com apresentações audiovisuais, depoimentos de familiares e amigos, e intervenções musicais. Estudantes do curso de Língua e Literatura Russa da FFLCH também participaram, realizando leituras de trechos das traduções de Schnaiderman, perpetuando o legado que ele construiu com tanto afinco. A jornada, com entrada gratuita, foi um testemunho vivo do impacto duradouro de Boris Schnaiderman na cultura e na academia brasileira.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br
