Mais de mil educadores e gestores de cerca de 50 cidades baianas participaram de um ciclo de encontros sobre alfabetização, organizado pelo Movimento Bahia pela Educação e com o apoio crucial da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP. O evento de encerramento, realizado em Salvador no dia 9 de junho, reuniu diretores escolares, equipes de secretarias de educação, prefeitos e especialistas para debater políticas públicas focadas em garantir a alfabetização na idade certa.
Desde março, o ciclo promoveu encontros em sete importantes cidades do estado – Barreiras, Eunápolis, Feira de Santana, Ilhéus, Juazeiro, Vitória da Conquista e Salvador – ampliando o diálogo e a mobilização em torno da educação. A iniciativa busca consolidar os avanços recentes e enfrentar os desafios persistentes na alfabetização infantil.
Panorama da Alfabetização na Bahia: Avanços e Desafios
A Bahia, embora tenha sido o estado que mais progrediu no Indicador de Crianças Alfabetizadas, divulgado pelo Ministério da Educação em abril, ainda ocupa a 24ª posição no ranking nacional. Em 2025, 55% das crianças baianas estarão alfabetizadas na idade certa, um crescimento notável de 19 pontos percentuais em relação a 2024, quando o índice era de apenas 36%. Contudo, o estado permanece distante da meta nacional de 80% até 2030. Daniela Bitencourt, coordenadora executiva do Movimento Bahia pela Educação, expressou preocupação com a dispersão: “Entre mais de 400 municípios, só 33 estão no nível de 80% de crianças alfabetizadas, e muitas cidades com desafios grandes.”
Estratégias Essenciais para o Sucesso e a Mobilização Coletiva
No painel ‘Os desafios de alfabetizar na idade certa’, Mozart Neves Ramos, titular da Cátedra, e Kátia Smole, diretora do Instituto Reúna, apresentaram insights valiosos. Mozart destacou três pilares para avanços consistentes: garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas até os sete anos, fortalecer a colaboração entre municípios, estado e União, e mobilizar a sociedade pela causa educacional. “Dificuldades na etapa da alfabetização tendem a comprometer o desempenho dos estudantes na trajetória escolar e aumentar os riscos de evasão e abandono”, alertou Mozart, enfatizando a importância de combater desigualdades e garantir que “todos avancem coletivamente.”
Daniela Bitencourt ressaltou o feedback positivo dos participantes e o alcance da iniciativa, que capacitou profissionais de mais de 190 cidades baianas. “Se queremos melhorar a alfabetização de todas as crianças, temos que apoiar as pessoas que transformam políticas públicas em ação”, afirmou, destacando a parceria com a Cátedra como fundamental para nortear o trabalho e conferir credibilidade às ações.
Financiamento Educacional e o Combate à Desigualdade
A redução das desigualdades foi apontada como a principal pendência para que municípios brasileiros recebam o Valor Aluno Ano por Resultados (VAAR), uma das complementações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Leomar da Silva, pesquisador e analista de dados da Cátedra, explicou que o VAAR conecta o financiamento aos resultados e à equidade. Ele detalhou os mecanismos de repasse, como o Valor Aluno Ano Fundeb (VAAF), o Valor Aluno Ano Total (VAAT) e a cota-parte do ICMS Educacional, que consideram o compromisso com a alfabetização na idade certa.
“O gestor educacional tem muito protagonismo nesse processo, é ele que vai transformar os indicadores em decisão pedagógica”, afirmou Leomar, destacando que a gestão baseada em evidências é crucial para o sucesso da alfabetização.
Próximos Passos: Formação Continuada e Reconhecimento Municipal
O ciclo de encontros é parte de uma estratégia mais ampla do Movimento. Durante o ano, três formadoras percorrerão cidades com baixos índices de alfabetização, oferecendo formação continuada e mentorias a diretores e professores. O conteúdo programático foi desenvolvido em cooperação técnica com o SESI de São Paulo e da Bahia.
Nos próximos meses, a Cátedra apoiará o Movimento na criação de critérios para analisar dados e reconhecer os municípios que mais avançaram. Ao final de 2026, será entregue o Prêmio Município Alfabetizador, que, pelo segundo ano consecutivo, irá homenagear os municípios com os melhores índices de alfabetização ao final do 2º ano do ensino fundamental, com base nos dados de 2025.
O Movimento Bahia pela Educação, lançado em outubro de 2025, é articulado pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) em parceria com diversas instituições, incluindo o Governo da Bahia, Ministério Público, Undime, UPB, Sebrae, SESI, TCE-BA, TCM-BA e a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da USP.
Fonte: jornal.usp.br
