A arquitetura que nos cerca, muitas vezes ignorada na correria do dia a dia, guarda histórias e memórias valiosas. É com essa premissa que o Arquigrafia, uma plataforma colaborativa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP), incentiva o registro fotográfico da arquitetura do cotidiano. Com um acervo que já ultrapassa 14 mil fotografias de espaços urbanos e edifícios no Brasil e em países da comunidade lusófona, o projeto busca construir uma memória coletiva e valorizar patrimônios que, de outra forma, poderiam ser esquecidos.
O Arquigrafia é um convite aberto a qualquer pessoa para compartilhar seu olhar sobre a cidade. Ao documentar ruas, casas, praças e outros elementos que compõem o cenário urbano, os participantes contribuem ativamente para a preservação da história visual e cultural de suas comunidades.
Origem e Evolução de um Acervo Multidisciplinar
Criado em 2009 pelo professor Artur Rozestraten, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU-USP), o Arquigrafia nasceu com foco na área da arquitetura. No entanto, ao longo dos anos, o projeto expandiu-se e hoje se tornou multidisciplinar, envolvendo pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Essa evolução permitiu que a plataforma abraçasse uma gama mais ampla de perspectivas, enriquecendo ainda mais o acervo. Qualquer pessoa interessada pode criar uma conta gratuita e começar a enviar suas contribuições fotográficas.
Inteligência Artificial e a Força da Colaboração Humana
Para gerenciar o vasto volume de imagens, o Arquigrafia utiliza inteligência artificial (IA) para realizar uma curadoria inicial e organizar o acervo. A tecnologia classifica as fotografias por temas, cores e elementos arquitetônicos, agilizando o processo. Contudo, os coordenadores do projeto enfatizam que a IA atua em conjunto com a inteligência coletiva dos usuários. São os próprios colaboradores que podem identificar e corrigir erros de classificação, além de apontar imagens geradas por inteligência artificial, garantindo a autenticidade e a precisão do conteúdo.
A plataforma também prioriza a proteção dos direitos autorais. Aceita apenas fotografias produzidas pelos próprios usuários ou publicadas mediante autorização explícita. Todas as imagens recebem licença Creative Commons, e as diretrizes detalhadas sobre uso e compartilhamento estão disponíveis para consulta na própria plataforma, assegurando transparência e respeito à autoria.
Desvendando a Memória Urbana Além dos Monumentos
Um dos pilares do Arquigrafia é incentivar o registro de espaços cotidianos, muitas vezes negligenciados em detrimento de grandes monumentos. O professor Artur Rozestraten explica que essas imagens de ruas, casas e praças são cruciais para a construção de uma memória coletiva. Ao valorizar a arquitetura que faz parte da rotina das pessoas, o projeto estimula a população a reconhecer a qualidade e a importância dos lugares que compõem seu dia a dia, fomentando um senso de pertencimento e apreço pelo ambiente urbano.
Como Contribuir e Ser Protagonista Dessa História
Participar do Arquigrafia é simples. Após criar uma conta na plataforma, os usuários podem enviar fotografias de locais que considerem relevantes. Além de novas imagens, é possível também complementar informações sobre fotos já existentes, fortalecendo o caráter colaborativo e enriquecendo o contexto de cada registro. A proposta central do Arquigrafia é transformar a população em protagonista na construção de um acervo vivo sobre a arquitetura e os espaços urbanos, ampliando o registro e garantindo a preservação contínua da memória das cidades.
Fonte: jornal.usp.br
