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"title": "Regulamentação da Inteligência Artificial: Entenda Por Que Limites São Cruciais Para a Sociedade e a Democracia",
"subtitle": "Professor Glauco Arbix, da USP, alerta que a falta de controle sobre a IA pode gerar danos psicológicos, vícios e comprometer a veracidade da informação, destacando a dificuldade de regulamentar uma tecnologia tão poderosa.",
"content_html": "<p>A inteligência artificial (IA) emerge como uma das tecnologias mais transformadoras da humanidade, remodelando desde as relações de trabalho e produção até os sistemas de educação e saúde. Contudo, essa revolução tecnológica não vem sem desafios significativos, especialmente no que tange à sua regulamentação. Para Glauco Arbix, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e coordenador do Observatório da Inovação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, a questão regulatória está na base dos problemas apresentados pela utilização da IA, e a sociedade tem a obrigação de impor limites a ela.</p><p>Arbix é um dos organizadores do livro "IA na Encruzilhada – desafios geopolíticos, regulatórios e de governança", uma obra que reúne a perspectiva de 21 pesquisadores e especialistas da USP. A publicação busca dar conta da complexidade da IA, que, segundo o professor, "está sacudindo o panorama da Academia, da Universidade, de ponta a ponta", ao reduzir drasticamente o custo da cognição.</p><h3>Os Riscos da IA Sem Controle</h3><p>A percepção de que a IA pode gerar danos surge quando a sociedade adota essas novas tecnologias e percebe que, além das promessas de bem-estar, há riscos latentes. Arbix aponta para problemas como danos psicológicos e vícios, exemplificando com jovens que ficam "grudados, fazendo perguntas para o ChatGPT", muitas vezes sem sistemas de proteção eficientes para crianças e adolescentes. "A sociedade tem a obrigação de colocar limites para a tecnologia", enfatiza.</p><p>A interferência da IA em diversas profissões é outro ponto de preocupação. No jornalismo, por exemplo, a IA pode substituir o trabalho humano, comprometendo a busca pela informação mais verídica. Ao reproduzir conteúdos imprecisos que circulam na internet, a IA "dá o posicionamento dela, e muitas vezes isso não é verdadeiro", o que, do ponto de vista da democracia, é "muito ruim", conforme Arbix.</p><h3>O Desafio da Regulamentação Global</h3><p>Encontrar formas de regulamentação para a IA, no entanto, é uma tarefa árdua. O professor da USP explica que não há consenso global sobre o tema. Governos possuem visões distintas, como o exemplo da administração de Donald Trump nos Estados Unidos, que fez campanha para vencer a competição com a China e não desejava impor limites à atuação das empresas de tecnologia. Além disso, as grandes empresas de tecnologia exercem um poder financeiro e político considerável, capaz de pressionar autoridades e a sociedade.</p><h3>Regulamentação e Inovação: Um Falso Dilema</h3><p>Uma tese comum é a de que a regulamentação e a imposição de regras para o funcionamento da IA enfraqueceriam a inovação. Arbix contesta veementemente essa ideia. Ele cita setores altamente regulados, como o da saúde — considerado um dos mais inovadores do mundo, perdendo apenas para a área militar —, aviação e automotivo. "Não é verdade, o setor de saúde é altamente regulado e é o mais inovador do mundo […] aviação, automóveis, todos eles são ultrarregulamentados", afirma, demonstrando que a regulamentação pode, na verdade, coexistir e até mesmo impulsionar a inovação ao estabelecer padrões de segurança e responsabilidade.</p><p>A discussão sobre a regulamentação da inteligência artificial, portanto, vai além da simples imposição de regras; trata-se de um debate complexo e urgente sobre como garantir que essa tecnologia poderosa sirva ao bem-estar da humanidade, protegendo a sociedade de seus potenciais malefícios e assegurando um futuro inovador e ético.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br
