Por décadas, o intercâmbio científico entre o Brasil e Cuba, mediado por figuras como o professor emérito do Instituto de Química da USP e ex-presidente do CNPq, Hernan Chaimovich, revela uma história de persistência e colaboração. Longe de análises políticas, Chaimovich compartilha memórias sobre o esforço científico cubano e a Academia de Ciências de Cuba, a mais antiga do continente americano, fundada em 1861.
A Persistência da Ciência Cubana sob o Bloqueio
A resiliência da ciência cubana é notável, especialmente quando contextualizada pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Iniciado gradualmente em 1960 e formalizado em 1962, o embargo tem se endurecido ao longo das décadas, com sanções que visam até mesmo navios-tanque que se dirigem à ilha. As consequências são severas, resultando em escassez de insumos farmacêuticos, paralisação do transporte e uma crítica falta de energia, afetando diretamente a capacidade de pesquisa e desenvolvimento do país.
A Exclusão na OEA e a Resposta Pan-Americana
Em 2002, Chaimovich presenciou a paradoxal exclusão da Academia de Ciências de Cuba de uma comissão de experts da Organização de Estados Americanos (OEA), que visava assessorar a organização em ciência e tecnologia. Apesar de Cuba ter sido expulsa da OEA em 1962 e, por opção própria, não ter retornado mesmo após a revogação da decisão em 2009, a ausência de sua academia em um fórum científico continental era, para Chaimovich, inaceitável, dado seu legado histórico.
IANAS: Uma Rede de Conectividade Científica
Diante da necessidade de uma representação inclusiva, Hernan Chaimovich, com o apoio de colegas latino-americanos, da National Academy of Sciences e do InterAcademy Partnership (IAP), fundou a IANAS (InterAmerican Network of Academies of Science). Esta rede, que Chaimovich presidiu por seis anos, conseguiu integrar todas as Academias de Ciência do continente americano e do Caribe, incluindo a Academia de Ciências de Cuba. Através da IANAS, programas científicos sobre Águas, Gênero, Ensino de Ciências e Energia, entre outros, são desenvolvidos, servindo de referência para políticas públicas e contando com a participação ativa dos cientistas cubanos.
A Ciência como Caminho para a Superação
Em tempos de adversidade e bloqueios que afogam um país, a cooperação entre academias e cientistas emerge como um raro raio de luz. O diálogo e o contato científico, conforme defendido por Chaimovich, são vistos como o caminho essencial para o avanço e a sobrevivência da humanidade. A história de Sergio, seu amigo cubano, e o contínuo engajamento da Academia de Ciências de Cuba na IANAS, são testemunhos vivos de que a ciência, por sua natureza, transcende barreiras políticas e geográficas em busca do conhecimento e do bem comum.
Fonte: jornal.usp.br
