USP Impulsiona Projetos para Reduzir Ultraprocessados em Hospitais e Escolas, Fortalecendo Saúde e Agricultura Familiar

Alimentos ultraprocessados, caracterizados por altos teores de sódio, açúcar e gorduras saturadas e baixo valor nutricional, representam uma preocupação crescente para a saúde pública e o meio ambiente. Em resposta a esse desafio, pesquisadores do Núcleo de Estudos em Ciência, Cultura e Comida (ECCCo), da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, têm desenvolvido projetos inovadores para diminuir a presença desses produtos em hospitais e escolas públicas e privadas.

Ameaça Global: Os Riscos dos Ultraprocessados e a Justiça Social

A professora Betzabeth Slater Villar, chefe do Departamento de Nutrição da FSP-USP, alerta que o consumo de ultraprocessados está intrinsecamente ligado a três grandes dilemas globais: obesidade, desnutrição e as mudanças climáticas. Segundo ela, além de incentivar hábitos alimentares prejudiciais, esses produtos geram uma quantidade significativa de resíduos devido às suas embalagens e afastam as pessoas do preparo de suas próprias refeições. A questão transcende a saúde individual, atingindo a justiça social e climática, uma vez que populações vulneráveis – como pessoas pretas, pardas, indígenas e mulheres de baixa renda – são as mais afetadas, perpetuando ciclos de pobreza e insegurança alimentar e nutricional.

Hospitais Conectados à Agricultura Familiar

Desde 2020, o grupo da USP tem atuado em hospitais, tanto públicos quanto privados, com o objetivo de ampliar o acesso a alimentos frescos e sustentáveis. A nutricionista Weruska Davi Barrios, doutora em Nutrição em Saúde Pública pela FSP-USP, explica que uma das estratégias é aproximar gestores hospitalares dos mecanismos de políticas públicas existentes, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Semelhante ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o PAA incentiva a compra de alimentos agroecológicos diretamente de agricultores familiares, mas ainda é subutilizado em ambientes hospitalares. O projeto, portanto, busca fomentar sua plena implementação. Complementarmente, a iniciativa promove feiras mensais no campus da FSP e na Cidade Universitária, estreitando a relação entre consumidores e produtores agroecológicos.

Escolas: O Sucesso do PNAE e o Desenvolvimento Local

No contexto escolar, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) é destacado pela professora Betzabeth Slater como um modelo bem-sucedido de política pública que integra diversas áreas, como saúde, educação, agricultura e desenvolvimento social. A ampliação da cota de compra de produtos da agricultura familiar para 45% dos recursos destinados à alimentação escolar não apenas garante refeições mais saudáveis para os estudantes, mas também impulsiona a economia local, gerando renda e promovendo a inclusão social, especialmente para mulheres, jovens e comunidades tradicionais.

Rumo a um Futuro Alimentar Mais Saudável e Sustentável

Para as pesquisadoras da USP, a efetiva redução dos ultraprocessados em hospitais e escolas demanda uma abordagem multifacetada e articulada. Entre as ações cruciais apontadas estão o fortalecimento contínuo da agricultura familiar e agroecológica, a expansão da oferta de alimentos in natura nos cardápios das instituições e a capacitação dos profissionais encarregados do planejamento das refeições. Essas medidas não apenas elevam a qualidade nutricional da alimentação, mas também minimizam impactos ambientais, alinhando os conceitos de saúde humana e saúde planetária em uma visão integrada de bem-estar.

Fonte: jornal.usp.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *