SampaAdapta: USP e Prefeitura de SP Lançam Plataforma que Monitora Calor Urbano e Propõe Políticas Públicas para Adaptação Climática
Iniciativa pioneira, desenvolvida em parceria com o IAG e a FAU da USP, busca entender os impactos das altas temperaturas na saúde e desenvolver soluções inovadoras para o conforto térmico em regiões vulneráveis da capital.
A cidade de São Paulo ganha um importante aliado na luta contra os efeitos do calor urbano e as mudanças climáticas: a plataforma SampaAdapta. Fruto de uma colaboração entre o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o projeto visa monitorar as temperaturas e a umidade do ar em diversos pontos da capital, gerando dados cruciais para a formulação de políticas públicas de adaptação climática.
Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG-USP, explica que a iniciativa partiu da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, com a USP responsável pela especificação e instalação dos instrumentos. Além disso, a parceria conta com a instituição Vital Strategy, que colabora na busca por dados que aprofundem o entendimento da variação do microclima e seus impactos na saúde humana. “Faz parte da iniciativa colaborar para um estudo de entendimento de como esses extremos de temperatura e de umidade do ar podem influenciar no agravamento de doenças ou proliferação de viroses e a intensidade de epidemias”, afirma Rocha.
Como a Plataforma SampaAdapta Funciona?
O SampaAdapta opera através de uma rede de sensores instalados estrategicamente para coletar dados detalhados de temperatura e umidade do ar. A USP, como parte do convênio, é responsável pela análise desses bancos de dados, que incluem informações tanto de ambientes externos quanto de interiores de residências. O objetivo é criar um panorama abrangente das condições térmicas da cidade, identificando áreas mais vulneráveis e os padrões de calor que afetam diretamente a vida dos paulistanos.
Políticas Públicas para um Futuro Mais Resiliente
Os dados coletados pelo SampaAdapta servirão de base para a criação de políticas públicas focadas na prevenção de doenças e no agravamento de quadros de saúde relacionados ao clima. O professor Rocha destaca que serão consideradas todas as ações que promovam melhores condições de conforto térmico, seja em extremos de frio, calor ou baixa umidade do ar. Entre as propostas, estão a criação de “oásis climáticos” – espaços frios onde a população pode se resguardar da radiação solar e do calor – e soluções para melhorar o conforto térmico dentro das próprias residências, o que pode envolver tanto tecnologias quanto alternativas mais sustentáveis e verdes.
Onde o SampaAdapta Está Presente em São Paulo?
A cobertura do SampaAdapta abrange diversas regiões da cidade, com medidores instalados em pontos estratégicos. Atualmente, os instrumentos estão presentes em cinco regiões: no extremo da zona oeste (Jardim Ângela), na zona norte (Perus), na região central (Brás), na zona sul (M’Boi Mirim) e em um residencial próximo à Rodovia Raposo Tavares. Há planos para expandir a instalação para a comunidade de Paraisópolis, consolidando a presença do projeto em áreas de grande adensamento populacional.
Em cada uma dessas regiões, os equipamentos são distribuídos para medir o microclima no nível da rua e em quatro residências próximas a cada medidor externo. A escolha dessas residências segue um critério rigoroso para evitar vieses de aquecimento interno causados por fontes de calor domésticas, garantindo a precisão dos dados coletados e a relevância das informações para as futuras políticas de adaptação climática na metrópole.
Fonte: jornal.usp.br
