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"title": "Com Perda da Visão aos 18 Anos, Rogério Ratão Cria Esculturas Táteis de Estética Modernista e Inspira Acessibilidade na USP",
"subtitle": "O paulistano Rogério Ratão, que redirecionou seu foco para as mãos após a cegueira, forja obras que combinam a estética modernista com a percepção sensorial, destacando-se por sua parceria com a USP na promoção da arte inclusiva.",
"content_html": "<p>Rogério Ratão, um artista plástico paulistano, transformou a perda completa da visão aos 18 anos em um novo caminho para a expressão artística. Sua obra se destaca pela fusão da estética modernista com a percepção sensorial, criando esculturas táteis que convidam tanto ao olhar quanto ao toque. Recentemente, seu trabalho ganhou visibilidade na Universidade de São Paulo (USP) por meio de projetos que ampliam o acesso à arte para pessoas com deficiência visual.</p><h3>A Trajetória Tátil de Rogério Ratão</h3><p>Nascido em 1972, Rogério conviveu com baixa visão desde a infância devido a uma uveíte, perdendo completamente a visão em 1990, após um descolamento de retina. A cegueira, contudo, não o impediu de seguir sua vocação. Pelo contrário, direcionou sua atenção para as mãos, consolidando uma carreira onde a sensibilidade tátil é protagonista. Sua formação artística teve início logo após a perda da visão, com estudos de escultura entre 1992 e 1996 sob a orientação do artista chileno Martim.</p><h3>Modernismo e a Geometrização da Forma</h3><p>O estilo de Rogério Ratão é abertamente influenciado pelo Modernismo do início do século 20, com referências a mestres como Victor Brecheret, Constantin Brancusi e Amadeo Modigliani. Suas peças buscam a simplificação e a geometrização da forma, características que as tornam instigantes tanto visualmente quanto ao toque. Para o artista, a ausência de visão impacta diretamente a escala de sua produção. Suas obras possuem dimensões que permitem a percepção do todo pelo toque, facilitando a compreensão volumétrica. “Eu quero que ela [a escultura] seja muito agradável ao olhar e instigante… Mas, ao mesmo tempo, ela tem que ser muito agradável ao toque”, afirma Rogério.</p><h3>Técnica Inovadora e a Criação de Sentidos</h3><p>A técnica de Rogério envolve a modelagem em argila, a fundição em bronze e um domínio particular da cerâmica de alta temperatura. Um dos diferenciais em seu processo é o uso do torno como ferramenta escultórica. Ele utiliza o equipamento para levantar cilindros e formas ovais que, posteriormente, são submetidos a intervenções, recortes e modelagens manuais, transformando a função tradicional do torno. Entre suas principais criações, destacam-se a "Série Sinus", inspirada na sinuosidade de formas curvas e no movimento do corpo humano; a "Geo-Tipia", obras que utilizam a prensagem de discos de argila sobre espuma; e as "Abstrações Cerâmicas", peças com perfurações geométricas que exploram efeitos de luz, sombra e movimento.</p><h3>Arte e Acessibilidade: A Colaboração com a USP</h3><p>A parceria de Rogério Ratão com a USP é de longa data. Recentemente, seu trabalho ganhou destaque no projeto "Sentir para Conhecer", da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, que transformou esculturas da Universidade em réplicas táteis, ampliando o acesso para pessoas com deficiência visual. A iniciativa, que resultou em exposições no prédio da Reitoria e na FO, contou com a colaboração de professores de diversas unidades da USP e de outras instituições. Além disso, Rogério atuou como professor no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) no projeto "Igual Diferente" (2011-2024), que integra pessoas com e sem deficiência em cursos de arte, e foi convidado para criar uma escultura permanente a ser instalada em um jardim da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Para Rogério, a presença de suas obras no ambiente universitário é um posicionamento político fundamental, que materializa a capacidade de produção intelectual e artística da pessoa com deficiência. “As pessoas cegas também produzem arte, podem fazer e pensar arte”, conclui, reforçando a importância do acesso para a abertura de novos horizontes.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br
