Projeto ‘Palavras que Abraçam’ leva contos a crianças cegas com leituras voluntárias em vídeo

Iniciativa Inspirada pela Escassez de Livros Acessíveis

A falta de livros acessíveis para crianças cegas em Portugal motivou a escritora Maria Saraiva de Menezes a criar o projeto “Palavras que Abraçam”. A iniciativa, que é uma parceria entre a Biblioteca Municipal de Alcântara, em Lisboa, e a associação Bengala Mágica, visa democratizar o acesso à leitura para crianças com deficiência visual. A escassez de materiais em braille e audiolivros, bem como a incipiente oferta de ilustrações táteis (hápticas), impulsionaram a busca por soluções inovadoras.

Voluntários Gravam Contos para Alcançar Mais Crianças

O projeto se concretiza através da gravação de vídeos com voluntários lendo contos infantis. A ideia surgiu a partir da experiência pessoal de Maria Saraiva de Menezes, que percebeu a dificuldade em encontrar livros acessíveis para crianças. “Todas as crianças pequenas têm acesso à palavra, desde que nascem. Eu entendi que o meu filho também deveria ter direito à palavra, na escrita dele”, relata a escritora. A iniciativa já conta com 61 voluntários inscritos e 115 vídeos gravados, dos quais 15 já foram publicados nos canais do YouTube das Bibliotecas de Lisboa e da Bengala Mágica. A coleção de histórias cresce diariamente, oferecendo um acervo cada vez maior.

Um Projeto Inclusivo e Aberto a Todos

O “Palavras que Abraçam” não se restringe apenas a crianças cegas ou com baixa visão. A iniciativa é aberta a qualquer criança, em qualquer parte do mundo lusófono, que deseje ouvir uma história. A escritora Maria Saraiva de Menezes destaca a energia positiva do projeto: “tem estado a correr bem, porque todos os dias se gravam histórias, o acervo vai crescendo, é uma atividade inclusiva. É para qualquer pessoa, qualquer criança, na lusofonia, no mundo inteiro”. A participação é voluntária, e qualquer pessoa pode se inscrever para ler uma história de sua escolha, seja presencialmente na Biblioteca Municipal de Alcântara ou remotamente.

Expansão para a Comunidade Surda e Impacto Positivo

O sucesso do projeto abriu portas para novas frentes de inclusão. A coordenadora da biblioteca, Ana Gomes dos Santos, revela que já estão em articulação parcerias com a Associação Portuguesa de Surdos para criar um programa semelhante voltado para crianças surdas-mudas, com a formação de uma bolsa de recrutamento para a Língua Gestual Portuguesa. O projeto tem recebido um grande retorno dos voluntários, que expressam gratidão pela oportunidade de contribuir. Maria Saraiva de Menezes ressalta que a leitura de histórias é um ato de amor, e que a disponibilidade e a voz dos voluntários enriquecem imensamente a iniciativa.

Fonte: pt.euronews.com

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