Maior estudo do mundo com stents em diabéticos reafirma eficácia do tratamento padrão atual

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"title": "Maior Estudo Global com Stents em Diabéticos Reafirma Eficácia do Tratamento Padrão, Mas Urge por Inovações para Pacientes de Alto Risco Cardíaco",
"subtitle": "Pesquisa internacional, com participação do InCor/USP e mais de 3 mil pacientes, confirma a superioridade do stent XIENCE e destaca a necessidade de avanços contínuos para otimizar resultados a longo prazo em indivíduos com diabetes.",
"content_html": "<p>Um estudo internacional de grande envergadura, publicado na prestigiada revista The Lancet e com a colaboração do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC) da USP, trouxe novas perspectivas sobre o tratamento de pacientes diabéticos submetidos à angioplastia coronária. A pesquisa, considerada a maior do mundo em sua categoria, avaliou a eficácia de dois tipos de stents farmacológicos – pequenos tubos metálicos revestidos com medicamentos – utilizados para manter as artérias do coração desobstruídas e prevenir eventos cardiovasculares como infartos.</p><p>Os resultados reafirmam que o stent XIENCE, considerado o padrão-ouro na prática clínica há quase duas décadas, mantém sua posição como o tratamento mais eficaz e seguro. Um novo protótipo, o Abluminus DES+, que prometia uma entrega mais direta e eficiente do medicamento, não conseguiu atingir o status de não inferioridade em relação ao padrão estabelecido. Durante o ensaio clínico de dois anos, o Abluminus DES+ apresentou uma taxa de falha de 9,7%, comparada a 6,2% do XIENCE, indicando que, embora a tecnologia atual seja avançada, ainda há um longo caminho para otimizar a qualidade de vida dos pacientes diabéticos.</p><h3>O Comparativo entre Stents</h3><p>O estudo focou na comparação entre o stent Abluminus DES+ e o XIENCE, que utiliza o fármaco everolimus. O Abluminus DES+ foi desenvolvido com a expectativa de inovar, utilizando o medicamento sirolimus e um revestimento farmacológico que cobria tanto o dispositivo quanto o balão usado para inflar as artérias. Essa combinação, que unia um stent farmacológico a um balão farmacológico, tinha o objetivo de melhorar a entrega do medicamento nas paredes dos vasos sanguíneos. Contudo, os desfechos primários do estudo – que incluíam a necessidade de nova cirurgia para desobstruir a mesma artéria ou a falha da lesão-alvo (morte cardiovascular, infarto ou repetição do procedimento) – mostraram que o novo stent não superou o padrão-ouro.</p><p>Alexandre Abizaid, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e primeiro autor do artigo, pontua que, apesar de o estudo ter tido um resultado 'negativo' no sentido de não ter demonstrado superioridade ou não-inferioridade do novo dispositivo, ele reforça a eficácia dos stents já disponíveis. "Os stents que hoje temos disponíveis no Brasil e no mundo cumprem o seu papel, ainda não conseguimos introduzir uma tecnologia melhor do que essa", afirma Abizaid, enfatizando a importância de divulgar até mesmo estudos com resultados desafiadores para impulsionar a pesquisa.</p><h3>O Desafio do Diabetes e Doenças Cardiovasculares</h3><p>Pacientes com diabetes enfrentam um risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morbidade e mortalidade nessa população. A hiperglicemia, a resistência à insulina e os distúrbios metabólicos associados ao diabetes promovem um ambiente pró-inflamatório, acelerando a aterosclerose – o acúmulo de gordura e o estreitamento dos vasos sanguíneos – e aumentando o risco de reestenose (reestreitamento dos vasos). O diabetes tipo 2 (DT2), em particular, é clinicamente equiparado a um alto risco cardiovascular.</p><p>Diante desse cenário, Abizaid destaca a urgência de inovações contínuas, tanto no design dos dispositivos quanto nos medicamentos complementares. "A tecnologia atual está extremamente avançada, mas não está resolvendo totalmente o problema do diabetes", alerta o pesquisador, ressaltando que, apesar dos avanços, os diabéticos ainda sofrem mais com doenças cardiovasculares, infartos e óbitos, indicando a necessidade de um trabalho mais eficaz e direcionado.</p><h3>O Escopo da Pesquisa Global</h3><p>O estudo 'Ability Diabetes Global' foi um ensaio clínico multicêntrico, prospectivo, aberto e randomizado, envolvendo mais de 3 mil pacientes com diabetes tipo 1 ou 2, de 74 centros em 16 países da Europa, América do Sul e Ásia. Os pacientes foram aleatoriamente designados para receber o stent Abluminus DES+ ou o XIENCE para tratar lesões coronarianas crônicas. As consultas de acompanhamento foram realizadas em 1, 6, 12 e 24 meses após a colocação do stent para monitorar os desfechos primários.</p><p>Embora não tenham sido observadas diferenças significativas na mortalidade cardiovascular ou por todas as causas entre os grupos, os achados gerais do estudo reforçam que as melhorias nos resultados clínicos a longo prazo para pacientes diabéticos ainda são limitadas, mesmo com o uso das tecnologias mais recentes.</p><h3>A Evolução dos Stents Farmacológicos</h3><p>A história dos stents farmacológicos no Brasil começou em 1999, com o primeiro implante realizado pelo Dr. Eduardo Sousa, no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. Alexandre Abizaid, que acompanhou esse período, descreve a invenção como "revolucionária". Antes, os stents (surgidos nos anos 1980) não continham medicamentos, e o tratamento clássico para doença coronariana era a revascularização por ponte de safena, um procedimento cirúrgico invasivo.</p><p>Os stents farmacológicos atuais representam um grande avanço, com hastes mais finas e polímeros que liberam drogas mais biocompatíveis e menos tóxicas para a parede do vaso. Os fármacos da família 'limus' (sirolimus e everolimus) possuem uma janela terapêutica favorável, otimizando o efeito desejado. No entanto, mesmo com essas melhorias, a particularidade dos pacientes diabéticos, com seu crescimento celular acelerado e ateromatose mais agressiva, continua a ser um 'problema' persistente que demanda novas e contínuas investigações para garantir resultados mais duradouros e eficazes.</p>"
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Fonte: jornal.usp.br

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