USP no Projeto Rondon: Equipe de Ribeirão Preto leva Saúde, Educação e Cidadania para Rio Branco do Ivaí, Paraná

USP no Projeto Rondon: Equipe de Ribeirão Preto leva Saúde, Educação e Cidadania para Rio Branco do Ivaí, Paraná

Pela primeira vez, a Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto coordenou a iniciativa, que realizou quase 1.900 atendimentos e deixou um legado duradouro em município paranaense.

A Universidade de São Paulo (USP) ampliou sua atuação em ações de extensão com a participação inédita de uma equipe da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) no Projeto Rondon. Durante os meses de janeiro e fevereiro de 2026, a unidade coordenou uma equipe na Operação Pé Vermelho, no município de Rio Branco do Ivaí, no Paraná, levando programas de saúde, educação e cidadania que impactaram diretamente a comunidade local.

Coordenado pelo professor Átila Alexandre Trapé, da EEFERP, e com coordenação adjunta da professora Marina Simões Flório Ferreira Bertagnoli, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), o grupo contou com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação de diversas unidades da USP. O objetivo principal foi promover a troca de saberes entre a academia e a comunidade, visando a redução de desigualdades e o fortalecimento da cidadania. As ações foram planejadas com base em demandas específicas identificadas em visita precursora em outubro de 2025.

Atuação Multidisciplinar e Impacto Local

A equipe da USP integrou a Operação A do Projeto Rondon, desenvolvendo atividades em áreas cruciais como saúde, cultura, educação, direitos humanos e justiça. Foram realizadas oficinas, campanhas de saúde pública, capacitações e ações comunitárias tanto na área urbana quanto nas comunidades rurais do município. Entre as iniciativas, destacaram-se orientações sobre doenças crônicas, aferição de pressão arterial, monitoramento de glicemia e promoção da saúde da mulher.

Além disso, foram conduzidas oficinas sobre inclusão, cidadania e comunicação não violenta, bem como práticas voltadas à integração comunitária, incluindo atividades culturais e intergeracionais. Segundo a professora Marina, o planejamento detalhado e a customização das oficinas foram essenciais para atender às necessidades específicas da população. O envolvimento comunitário foi expressivo, registrando 1.871 atendimentos em um município com aproximadamente 3.500 habitantes, com a estratégia de alcançar também as áreas rurais.

Troca de Saberes e Legado Duradouro

Além dos atendimentos diretos, a operação deixou iniciativas estruturais para a comunidade, como a criação de uma trilha ecológica, idealizada na visita precursora e inaugurada durante a missão. Essa trilha amplia os espaços de convivência e incentiva a atividade física. Momentos de integração, como campanhas públicas, eventos comunitários e um show de talentos com a participação dos moradores, marcaram a relação entre a equipe da Universidade e a população local.

O professor Trapé ressalta a importância da troca de saberes: “No fim, nós aprendemos mais do que ensinamos. Seguramente, todos os membros da nossa equipe voltaram bem diferentes do que foram, com uma bagagem de valor inestimável”. Estudantes de áreas como educação física, enfermagem, farmácia e psicologia trabalharam de forma integrada, contribuindo com diferentes perspectivas para a resolução de problemas reais, evidenciando a importância da atuação interdisciplinar.

Transformação Pessoal e Acadêmica para Estudantes

Para os estudantes participantes, a experiência no Projeto Rondon representou uma formação que vai além da sala de aula. Jean Lucas Rosa, doutorando da EEFERP, descreve a vivência como uma “verdadeira transformação”, que ampliou sua visão sobre o papel social da universidade. Joicy Ferreira da Silva Ramos, também doutoranda da EEFERP, enfatiza a importância do contato direto com a população: “Na teoria, estudamos essas realidades, mas vivenciar é completamente diferente. Estar no território, ouvir as pessoas e entender suas necessidades mudam nossa forma de pensar e agir.”

A equipe enfrentou desafios como o engajamento de públicos específicos, como adolescentes, e a adaptação das propostas às condições locais, incluindo situações de vulnerabilidade social. Marina aponta que “nem sempre o que aprendemos na teoria se aplica diretamente. É preciso compreender o contexto antes de propor qualquer intervenção.”

O Compromisso Social da Extensão Universitária

O Projeto Rondon, iniciativa do Governo Federal coordenada pelo Ministério da Defesa, visa promover cidadania, inclusão social e desenvolvimento sustentável por meio da atuação de estudantes universitários em diversas regiões do País. A participação da USP reforça o papel da extensão universitária como um dos pilares da formação acadêmica.

Para o professor Trapé, experiências como essa aproximam a Universidade da sociedade e ampliam o impacto do conhecimento produzido. “O Projeto Rondon é uma oportunidade concreta de fazer isso, ao mesmo tempo em que forma profissionais mais conscientes e preparados para a realidade brasileira”, conclui.

Fonte: jornal.usp.br

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