A Associação Brasileira de Ensino em Jornalismo (Abej) realizou a primeira edição do Prêmio Cremilda Medina de TCC, uma iniciativa que celebra a vasta e impactante trajetória da professora Cremilda Medina no ensino de jornalismo no Brasil. Durante o 25º Encontro Nacional da entidade, sediado na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) em 22 de abril, foram anunciados os vencedores em duas categorias: Produto Jornalístico e Monografia, destacando novos talentos e a persistência de um legado acadêmico.
Reconhecimento e os Primeiros Vencedores
Com mais de 160 trabalhos inscritos, o prêmio contou com a avaliação rigorosa de oito professores de jornalismo de diversas instituições. Na categoria Monografia, Maria Beatriz Comunello, egressa da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no Paraná, foi a vencedora com o estudo ‘Credibilidade tem gênero? Uma análise do acionamento de fontes e analistas nos programas de Natuza Nery, Andréia Sadi e Julia Duailibi’. Já na categoria Produto Jornalístico, Lorenzzo Henrique de Paula Gusso, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), conquistou o prêmio com o trabalho ‘Tarifa zero – do impossível ao inevitável’.
O Legado de Cremilda Medina no Ensino de Jornalismo
A homenagem à professora Cremilda Medina, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, transcende o reconhecimento individual. Ela é celebrada por sua influência decisiva na implantação dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) na graduação em jornalismo, ao lado do professor José Marques de Melo (1943-2018), então chefe do Departamento de Jornalismo da ECA em 1986-87. Os primeiros TCCs defendidos na segunda metade da década de 80 ainda se inspiram no arcabouço acadêmico proposto por Cremilda, hoje aos 84 anos, evidenciando a perenidade de sua visão.
Uma Trajetória de Pioneirismo e Resistência
Pioneira em diversas frentes, Cremilda Medina é formada em Letras e Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em 1975, fez história ao ser a primeira aluna da ECA a concluir um mestrado acadêmico. Na mesma instituição, atuou como pesquisadora e professora, alcançando a livre-docência e, posteriormente, a aposentadoria sênior, sendo hoje Professora Emérita do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (Prolam) da USP. Autora de 20 livros e organizadora de mais de 60 coletâneas, sua obra abrange comunicação, jornalismo e literatura. Nascida em Portugal, sua infância foi em Porto Alegre, onde se formou em 1964 e conheceu o escritor Sinval Medina, com quem teve dois filhos. Sua carreira também foi marcada pela perseguição durante a ditadura militar, o que a afastou da vida acadêmica por dez anos, período em que se dedicou à produção literária e ao jornalismo de mercado.
Da Grande Imprensa à Produção Literária
Além da academia, Cremilda atuou na grande imprensa e na televisão nos anos 1970 e 1980, colaborando com veículos como ‘O Estado de S. Paulo’, ‘Jornal da Tarde’, ‘Revista Fotoptica’, TV Bandeirantes e TV Cultura. Atualmente, ao lado de Sinval Medina, ela mantém o projeto ‘Lendas e Narrativas’, uma plataforma que reúne suas trajetórias, textos e oferece um acervo de mais de 15 obras, consolidando um legado que transcende gerações no jornalismo e na literatura brasileira.
Fonte: jornal.usp.br
