William Bonner na USP: Jornalista Compartilha Memórias da Graduação, Rádio e Desafios da Carreira no Projeto Memórias Ecanas

William Bonner na USP: Jornalista Compartilha Memórias da Graduação, Rádio e Desafios da Carreira no Projeto Memórias Ecanas

Âncora do Jornal Nacional detalha seus primeiros passos na comunicação e a importância da Escola de Comunicações e Artes para sua sólida formação.

“Embora eu fosse muito tímido, eu adorava a área de comunicação; então, eu gostava de criar propagandas de produtos que não existiam.” A reflexão de William Bonner, um dos rostos mais conhecidos do jornalismo brasileiro, abre seu depoimento ao projeto Memórias Ecanas, uma iniciativa da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP em parceria com o Museu da Pessoa. A série audiovisual busca registrar a história da comunicação e das artes no Brasil, valorizando as trajetórias individuais de ex-alunos e professores como peças-chave para entender a evolução do setor no País.

No vídeo completo, disponível nas plataformas digitais do projeto, Bonner revisita sua formação na ECA-USP nos anos 1980. Ele compartilha momentos decisivos que moldaram o início de sua trajetória na comunicação, desde a escolha pelo curso de Comunicação Social até o efervescente ambiente universitário e os primeiros contatos com a prática profissional. O jornalista também aborda o período de preparação para o vestibular, marcado por pressões familiares, incertezas sobre o futuro e a necessidade de equilibrar estudos e vida pessoal. Ele recorda conversas cruciais com o pai, nas quais as expectativas financeiras e as dúvidas da época permeavam a decisão profissional.

Após meses de intensa preparação, Bonner prestou quatro vestibulares – Fuvest (USP), Pontifícia Universidade Católica (PUC), Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e Escola Superior de Propaganda e Marketing –, sendo aprovado em todos. A escolha pela ECA-USP foi o marco inicial de sua jornada acadêmica e profissional no universo da comunicação.

Os Primeiros Contatos com a Comunicação

William Bonner relembra seus primeiros passos ainda na adolescência, quando já explorava sua criatividade ao conceber campanhas e produtos fictícios, experimentando com textos, ideias e imagens. Essa afinidade com a escrita e o contexto de expansão da publicidade no Brasil na época foram fatores que consolidaram sua escolha pela área da comunicação.

A Experiência na Rádio USP e o Salto para o Telejornalismo

Um ponto central no relato de Bonner é sua passagem pela Rádio USP, onde teve o primeiro contato com a rotina de estúdio, locução e produção. Essa experiência foi fundamental para sua trajetória, aproximando-o da prática profissional que, mais tarde, o levaria ao telejornalismo. Clotilde Perez, diretora da ECA, ressalta a importância dessa vivência: “O relato de William Bonner traduz a essência da ECA: um ambiente de liberdade que permite explorar múltiplas linguagens. Ver um símbolo do jornalismo resgatar suas raízes na Publicidade e na Rádio USP reafirma como a sólida formação proporcionada pela escola é capaz de projetar trajetórias de grande impacto na sociedade.”

Desafios e Consolidação da Carreira

Ao longo de seu depoimento, Bonner também aborda os desafios enfrentados no início da carreira, como a conciliação entre estudo, trabalho e os longos deslocamentos pela cidade de São Paulo. Foi um período intenso, que exigiu rápida profissionalização para se manter no ar e continuar construindo seu caminho no competitivo campo da comunicação.

Memórias Ecanas: Preservando a História da Comunicação

Criado e coordenado pelo professor Paulo Nassar, o projeto Memórias Ecanas busca construir um vasto acervo audiovisual sobre a história da comunicação e das artes no Brasil, por meio das experiências de quem fez parte da ECA-USP. Com mais de duas décadas de existência, o projeto já reúne mais de 300 entrevistas com ex-alunos e professores, documentando as transformações nas práticas comunicacionais, no ambiente universitário e no mercado ao longo do tempo. “O projeto Memórias Ecanas se constitui num importante mapa simbólico de uma instituição referência no ensino dos campos da comunicação e das artes no Brasil,” afirma Nassar, destacando que ele revela trajetórias que moldaram a história da comunicação e das artes nos últimos 60 anos.

A parceria com o Museu da Pessoa, que utiliza uma tecnologia social da memória, amplia significativamente o alcance do projeto, integrando os depoimentos a um acervo maior de histórias de vida. Karen Worcman, fundadora do Museu da Pessoa, enfatiza: “Projetos como o Memórias Ecanas mostram como as trajetórias individuais ajudam a construir a memória coletiva da comunicação no Brasil. Ao contribuir com a metodologia de registro dessas histórias, ampliamos o acesso a experiências que não estão nos livros, mas que são fundamentais para entender como esse campo se desenvolveu ao longo do tempo.”

A ECA-USP é reconhecida como um centro de excelência na América Latina, com uma estrutura que abrange 11 carreiras de graduação, 6 programas de pós-graduação e mais de 60 núcleos de pesquisa. O Museu da Pessoa, por sua vez, é um museu virtual e colaborativo fundado em 1991, que registra e preserva histórias de vida, democratizando o acesso à memória social com um acervo de mais de 18 mil depoimentos.

Fonte: jornal.usp.br

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