Alerta da Confcommercio Revela Transformação Acelerada no Comércio Italiano
Um cenário de vitrines apagadas e portas fechadas se espalha pelas cidades italianas. Um estudo recente da Confcommercio, uma das principais associações empresariais do país, revela um dado alarmante: 156 mil lojas fecharam as portas na Itália entre 2012 e 2025. O levantamento, intitulado “Città e demografia d’impresa”, analisou 122 cidades e aponta para uma perda de mais de um quarto dos estabelecimentos comerciais tradicionais em pouco mais de uma década, fenômeno já apelidado de “desertificação comercial”.
Impacto Desigual e Setores Mais Afetados
A “desertificação comercial” não afeta o país de forma homogênea. O norte da Itália, mais industrializado e com maior penetração de centros comerciais e compras online, registra o maior número absoluto de fechamentos. Em contrapartida, o sul, apesar de suas dificuldades econômicas históricas, viu o comércio de rua resistir um pouco mais. Cidades como Agrigento, Ancona e Belluno sofreram reduções expressivas, superiores a 30% no número de estabelecimentos. Setores como bancas de jornal e lojas de vestuário e calçados foram particularmente atingidos, com quedas de mais de 50% e 37%, respectivamente.
O Poder do E-commerce e a Ascensão do Turismo e Serviços
A principal força motriz por trás dessa transformação são os hábitos de consumo. O comércio eletrônico na Itália quase triplicou nos últimos dez anos, com um crescimento impressionante de cerca de 187% entre 2015 e 2025, impactando diretamente os pequenos negócios locais. Em paralelo, outros setores prosperam, refletindo mudanças na economia urbana e no turismo. O número de alojamentos turísticos de curta duração, como B&Bs, quase quadruplicou desde 2012, com um salto de 290% no sul do país. Restaurantes, lanchonetes, farmácias e lojas de tecnologia também apresentaram crescimento.
Empreendedores Estrangeiros e o Futuro do Comércio Urbano
Um aspecto relevante do estudo é o papel crescente de empreendedores estrangeiros. Enquanto o número de empresas italianas diminuiu em cerca de 290 mil unidades, os negócios administrados por imigrantes aumentaram em 134 mil no mesmo período, contribuindo para a manutenção de parte da atividade econômica. Carlo Sangalli, presidente da Confcommercio, alerta que a “desertificação comercial” reduz serviços e pode afetar a vitalidade e a segurança dos centros urbanos. A entidade defende políticas públicas para revitalizar essas áreas e apoiar pequenos comerciantes, propondo iniciativas como o projeto Cities, que visa cidades mais conectadas e inovadoras, equilibrando tradição e novas formas de consumo. O desaparecimento das lojas de bairro, mais do que uma questão econômica, sinaliza uma profunda mudança na vida urbana italiana e levanta um debate urgente sobre o futuro do comércio na era digital.
Fonte: jornalitalia.com
