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Incor Lidera Pesquisa Promissora com Crioanalgesia para Reduzir Dor e Acelerar Alta em Cirurgias de Pectus Excavatum

A busca por métodos eficazes e menos invasivos para o controle da dor pós-operatória é uma constante na medicina. No Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, uma pesquisa inovadora está avaliando a crioanalgesia como uma alternativa promissora para o manejo da dor após a cirurgia de pectus excavatum, uma deformidade congênita da parede torácica.

Coordenado por Miguel Tedde, do Programa de Complementação Especializada em Cirurgia da Parede Torácica do Incor, o estudo aponta para resultados animadores, indicando uma redução significativa no consumo de opioides e no tempo de internação hospitalar para os pacientes.

Crioanalgesia: Uma Solução Inovadora para a Dor

A crioanalgesia é uma técnica que consiste no congelamento temporário de nervos específicos para bloquear a transmissão da sensação dolorosa. Um probe, que gera frio, é aproximado do nervo que se deseja ‘anestesiar’. O frio congela as fibras nervosas responsáveis pela condução da dor, mas preserva a capa de mielina que as envolve. Essa preservação é crucial, pois permite que as fibras dolorosas se regenerem após um período, restaurando a função normal do nervo quando a dor pós-cirúrgica já não é mais um problema.

Pectus Excavatum: O Desafio da Dor Pós-Cirúrgica

As deformidades de pectus excavatum (peito de sapateiro, com o esterno projetado para dentro) e pectus carinatum (peito de pombo, com o esterno projetado para fora) são condições congênitas que afetam a parede torácica. Embora as cirurgias para correção dessas deformidades tenham evoluído de procedimentos abertos e invasivos para técnicas minimamente invasivas, que utilizam próteses metálicas para reposicionar o esterno e as cartilagens, a dor pós-operatória ainda representa um desafio considerável para os pacientes e equipes médicas.

Resultados Encorajadores da Pesquisa no Incor

O estudo em andamento na Disciplina de Cirurgia Torácica do Incor envolve 40 participantes submetidos ao reparo minimamente invasivo de pectus excavatum (MIRPE). Os pacientes são randomizados em dois grupos: um grupo controle, que recebe analgesia por bloqueio peridural, e um grupo de intervenção, que recebe crioanalgesia dos nervos intercostais. Embora a pesquisa ainda esteja na metade, os dados preliminares são promissores.

No grupo que recebeu crioanalgesia, a mediana de permanência hospitalar pós-cirurgia caiu para três dias, em comparação com cinco dias no grupo da peridural. Além disso, o consumo médio de opioides no pós-operatório do grupo da crioanalgesia está sendo aproximadamente 50% menor que no grupo controle. É importante ressaltar que o projeto prevê um acompanhamento dos pacientes por um ano para monitorar possíveis complicações tardias.

Um Futuro com Menos Dor e Mais Recuperação Rápida

Caso esses resultados se confirmem na totalidade do estudo, a crioanalgesia dos nervos intercostais pode se consolidar como uma excelente opção para o manejo da dor pós-operatória. Seus benefícios incluem não apenas a redução drástica do uso de opioides – o que diminui riscos de dependência e efeitos colaterais –, mas também a antecipação da alta hospitalar, favorecendo uma recuperação mais rápida e confortável para o paciente.

A técnica, embora testada em casos de pectus, tem o potencial de ser aplicada em diversas outras situações pós-cirúrgicas que geram dor intensa, como pós-operatórios de toracotomias, transplantes pulmonares e traumas torácicos com fraturas costais, abrindo um novo horizonte para o alívio da dor em cirurgias de grande porte.

Fonte: jornal.usp.br

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